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Ele Acha Que Basta Chorar Para Me Ter de Volta? Jamais! romance Capítulo 9

Quando Cristiano voltou para a casa dos Monteiro, já eram nove e meia da noite.

As luzes da sala ainda estavam acesas.

Lucca estava sentado no tapete abraçando a base do foguete e Thalita o acompanhava de perto, ensinando pacientemente a encaixar as peças.

Dona Regina estava sentada no sofá e, ao ver Cristiano chegar, levantou a cabeça e perguntou: — Cadê a Graciana?

Cristiano parou de tirar o casaco por um segundo.

Ele disse num tom frio: — Ela não voltou?

Dona Regina franziu a testa: — Você não sabia?

Aquela pergunta soou um pouco estranha.

Antes, se Graciana fosse chegar tarde, o primeiro a saber era sempre Cristiano.

Mesmo que ele não prestasse atenção nas mensagens dela, Graciana informava detalhadamente o horário, o local e o motivo.

Ela estava acostumada a relatar.

Ou melhor, ela estava acostumada a se colocar em uma posição na família Monteiro onde pudesse ser conferida a qualquer momento.

Cristiano entregou o casaco a um empregado e seu tom não mudou: — Ela fez birra ontem à noite.

Ao ouvir isso, o rosto de Dona Regina não ficou muito bom.

— Ela resolveu fazer birra logo num dia importante como o aniversário do Lucca? A Graciana está ficando cada vez mais irresponsável nos últimos dois anos. A Thalita faz de tudo para aliviar o peso dela, e, em vez de agradecer, ela ainda faz cara feia para a gente?

Thalita largou as peças que tinha nas mãos imediatamente e disse em voz baixa: — Dona Regina, não fale assim da Graciana. Ela provavelmente só está cansada.

Dizendo isso, ela olhou para Cristiano com cautela.

— Cristiano, a Graciana não falou com você hoje também?

Cristiano não respondeu.

Não.

Desde a noite passada até agora, Graciana não havia feito uma única ligação ou mandado uma única mensagem.

Até o pedido que ele havia feito a Renato para prestar atenção nas ligações dela pareceu desnecessário.

Aquela constatação fez nascer no coração de Cristiano uma irritação sem motivo.

Sentiu uma sensação de incômodo que nunca tinha sentido antes, como se algo importante estivesse fora do lugar.

Não era forte.

Mas também era impossível ignorar.

Lucca levantou a cabeça: — Pai, a mamãe ainda tá chateada?

Cristiano olhou para o filho.

Lucca estava abraçando a base do foguete, seu rosto mostrava um pouco de insegurança, mas principalmente incompreensão.

— A Thalita disse que a mamãe está muito cansada, mas por que ela não volta? — Ele murmurou. — Ontem era o meu aniversário.

Thalita acariciou a cabeça dele: — A mamãe te ama muito, ela só precisa descansar.

Lucca apertou os lábios: — E se ela não quiser mais saber de mim?

A sala ficou em silêncio por um segundo.

Cristiano franziu a testa.

— Ela vai querer. — Ele disse.

Quando essas palavras saíram, até ele mesmo sentiu que aquela certeza era natural.

E Graciana nunca cobrava.

Ela parecia ter se acostumado a falar com uma parede silenciosa.

Cristiano encarou a tela por alguns segundos e, de repente, achou aquelas mensagens irritantes.

Ele saiu da conversa e segurou o celular na mão.

Dona Regina continuou: — Amanhã você liga para ela, diz para ela voltar. Como pode haver ressentimento entre marido e mulher? Ela é a mãe do Lucca, não pode ignorar a criança por causa de uma bobagem.

Cristiano não respondeu.

Thalita baixou os olhos, esfregando levemente uma peça do foguete entre os dedos.

A voz dela soou suave como um suspiro: — A Graciana adorava o Lucca antes.

Cristiano olhou para ela.

Thalita levantou a cabeça, como se tivesse percebido que falara algo errado, e apressou-se em sorrir: — O que eu quis dizer é que a Graciana com certeza vai voltar.

Ela disse isso com suavidade.

Mas a irritação no coração de Cristiano só piorou.

Ele virou as costas e subiu as escadas.

A porta do quarto principal estava fechada.

Ao abri-la, não havia luz.

Cristiano parou na porta e, por um instante, sentiu uma repentina estranheza.

Antigamente, não importava que hora ele chegasse, sempre havia uma luz amarela e aconchegante acesa no quarto.

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