— Papai, eu tenho medo de dor. Não quero tomar injeção, buááá...
Enquanto falava, o menininho ergueu levemente o queixo para olhar para o homem, revelando inteiramente o seu rostinho lindo e delicado.-
A respiração de Ofélia parou, seus olhos fixos implacavelmente no rosto do garoto.
Aquele rosto era quase idêntico ao de Thiago!
Ele tinha chamado Thiago de pai?
Será que Thiago... a estava traindo?!
A cor desapareceu do rosto de Ofélia pouco a pouco.
Seu peito doeu como se tivessem arrancado um pedaço de sua carne a sangue frio, uma dor tão excruciante que ela não conseguia parar de tremer.
— Seja um bom menino, Abel. Você precisa tomar a injeção para ficar bom logo. O papai vai ficar do seu lado, vamos ser corajosos, está bem? — Thiago confortou a criança com extrema paciência.
— Então o Abel vai ser bonzinho e tomar a injeção. Papai, você pode dormir com o Abel hoje à noite? A mamãe disse que amanhã é o aniversário de cinco aninhos do Abel, e o Abel quer abrir os olhinhos e ver o papai assim que acordar!
— Tudo bem, o papai promete ao Abel — a mão grande e esguia do homem acariciou suavemente a cabeça do garoto.
— Obrigado, papai! Você é o melhor papai do mundo, o Abel te ama muito!
— O papai também ama muito o Abel — o homem sorriu levemente.
Os dengos infantis e inocentes do garotinho e as palavras doces e pacientes do homem ecoavam, cada sílaba rasgando a alma de Ofélia como uma tortura brutal.
Aniversário de cinco anos. Aquele menino já ia fazer cinco anos!
Parecia que uma mão invisível apertava e destroçava seu coração, enquanto seu estômago revirava violentamente.
Ofélia cobriu a boca, virando-se aos tropeços, e começou a ter ânsias de vômito na lixeira mais próxima!
O som dos espasmos chamou a atenção do garoto.
— Papai, acho que tem uma tia doente ali também, ela parece estar se sentindo muito mal — o menino virou o rosto para a esquina e apontou casualmente para Ofélia.
Thiago franziu a testa ao ouvir os sons de vômito, sentindo um desconforto inexplicável no peito.
Ele se levantou com a criança nos braços, prestes a se aproximar para verificar, quando passos apressados soaram atrás dele:
— Thiago!
Um era o homem que ela amava com toda a sua alma, a outra, uma estudante pobre que ela havia tirado da miséria, financiado pessoalmente os estudos universitários e que vivia dizendo considerá-la como uma verdadeira irmã.
...
Quando Ofélia voltou a si, o carro já estava estacionado sob a sombra de uma árvore, fora da luxuosa propriedade.
Pela janela, ela assistiu ao Maybach de Thiago entrar no local.
O portão eletrônico de bronze, com seus altos relevos, fechou-se lentamente, bloqueando completamente a visão de Ofélia.
Suas mãos apertavam o volante, tremendo incontrolavelmente. Ela encarava o portão com fixação, dentro da cabine fechada, sua respiração tornava-se cada vez mais ofegante.
— Ugh...
A porta do carro foi escancarada, Ofélia desceu correndo com a mão sobre a boca, apoiando-se no tronco de uma árvore à beira do caminho e tendo espasmos violentos de vômito.
Levou um bom tempo até que as contrações em seu estômago se acalmassem. Com um ar lastimável, ela se endireitou, secou o rosto banhado em lágrimas e virou-se lentamente, ainda apoiada na árvore.
Ao observar a casa, cujo estilo arquitetônico lhe era absurdamente familiar, a dor em seu coração já a deixava entorpecida.

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