Ofélia comprimiu os lábios, dividida.
Ela queria desesperadamente desmascarar as mentiras de Thiago e contar à avó Tavares que ele a havia traído.
Mas temia que isso fosse um golpe muito duro para a saúde dela.
A avó Tavares a amava muito desde pequena. Para Ofélia, que crescera no meio da Família Palma, um clã aristocrático onde os interesses estavam acima de tudo, o carinho da idosa a fazia sentir o calor do amor de uma verdadeira família.
Na época em que todos duvidavam do relacionamento dela com Thiago, a avó Tavares foi a única a apoiá-los e incentivá-los.
No coração de Ofélia, ela era ainda mais próxima que sua própria avó de sangue.
— Ofelinha.
As mãos frágeis da idosa seguraram as de Ofélia com delicadeza.
Ofélia despertou de seus pensamentos e voltou a encontrar os olhos da avó Tavares.
A avó Tavares deu tapinhas leves nas costas das mãos dela, com uma voz cheia de afeto: — Eu sei o quanto você sofreu com o que aconteceu no passado, mas você precisa aprender a seguir em frente. Não se deixe aprisionar pela dor. Se você nunca deixar isso para trás, aquelas duas pobres crianças também não conseguirão reencarnar em paz.
O nariz de Ofélia ardeu.
— Eu entendo, vó... — Ela retribuiu o aperto, segurando a mão da avó Tavares. — Não se preocupe, eu estou bem agora.
A avó Tavares observou o rosto de Ofélia, que estava visivelmente mais arredondado do que na última vez que se viram, e assentiu com um sorriso. — Eu reparei nisso. Thiago disse que vocês estão se cuidando e se preparando para tentar engravidar de novo. Isso é maravilhoso.
Os sentimentos de Ofélia estavam embaralhados.
No entanto, diante do olhar esperançoso da avó Tavares, ela simplesmente não conseguiu revelar que já estava discutindo o divórcio com Thiago.
Naquele instante.
Alguém bateu à porta do quarto.
— Senhora, hora de trocar o soro... — A porta se abriu e uma enfermeira entrou empurrando um carrinho de medicamentos.
Ofélia levantou-se prontamente. — Vó, vou lá fora retornar a ligação de uma amiga.
— Tudo bem, pode ir. Eu tenho as enfermeiras e a Ema para cuidar de mim aqui!
Ofélia assentiu com a cabeça, virou-se e saiu do quarto.
...
Ofélia escutou em silêncio.
Thiago a observou e continuou: — A cirurgia de ponte de safena não é exatamente um grande procedimento, mas, devido à idade avançada da avó, os indicadores de saúde dela são bem inferiores aos de uma pessoa jovem, então o risco da operação será consideravelmente maior.
Ao ouvir aquilo, os cílios de Ofélia tremeram levemente e ela finalmente virou o rosto para encará-lo.
— Thiago, com a capacidade que você tem hoje, com certeza conseguirá encontrar um especialista confiável para realizar uma cirurgia como essa.
— Eu posso, de fato. — Thiago fixou os olhos nela, com o olhar escuro e profundo. — Mas, antes da operação, a avó precisa estar nas melhores condições de saúde possíveis, e psicologicamente não pode sofrer a menor decepção.
Ofélia comprimiu os lábios.
Ela continuou encarando Thiago.
O significado por trás das palavras dele estava bem claro para ela.
Mas, ainda assim, ela não conseguia aceitar a situação.
— Thiago, como você tem a coragem de usar a avó para fazer chantagem emocional comigo de forma tão cínica? — Ofélia fuzilou-o com os olhos, sentindo uma raiva cheia de indignação ferver em seu peito. — Foi você quem me traiu primeiro! Eu sou a vítima aqui, o que há de errado em eu querer me divorciar de você?!

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