Thiago levantou-se, encarando Ofélia.
— Você está falando sério?
— Você acha mesmo que, depois de tudo isso, eu ainda estaria fazendo joguinhos com você?
Thiago comprimiu os lábios finos em uma linha rígida, sem dizer nada.
— Thiago, quando olho para você, já não consigo encontrar nenhum motivo para me convencer a perdoá-lo. — Ofélia respirou fundo. — Já me mudei de casa, acredito que minha postura está muito clara.
Thiago franziu a testa e instintivamente percorreu o quarto com os olhos.
Foi só então que percebeu que o ambiente estava mais vazio.
Os produtos de beleza na penteadeira, os xales no cabideiro e os livros que Ofélia costumava ler no sofá... tudo havia desaparecido.
— Quando você se mudou? — Thiago a encarou, franzindo o cenho.
— O Sr. Tavares não acha que é um pouco tarde para perguntar isso agora?
Thiago ficou sem palavras por um instante, mas logo retrucou: — Estive viajando a negócios para o exterior nos últimos dias, só voltei para a empresa hoje de manhã.
— O Sr. Tavares é realmente um homem muito ocupado. E com razão, afinal, o Sr. Tavares tem duas famílias para sustentar. — Ofélia julgou com frieza.
— Ofélia! — O rosto de Thiago escureceu. — Eu já disse que a existência de Stella e Abel não afetará você.
— Ha. — Ofélia riu de desgosto diante das palavras dele. — Thiago, se você quer ter o melhor dos dois mundos, o problema é seu, mas eu, Ofélia, nunca mais vou querer um homem sujo. Tenho nojo de você!
— Ofélia! — Thiago deu um passo à frente e agarrou bruscamente o queixo dela. — Você me chamou de sujo?
Uma dor aguda irradiou do seu queixo. Ofélia franziu levemente a testa e sustentou o olhar dele com teimosia.
— Sim! Eu tenho nojo de você, Thiago. Você é imundo! Nunca mais será digno de ser meu marido, muito menos de ser o pai dos meus filhos...
O homem inclinou-se e calou os lábios dela com um beijo brutal.
Ofélia congelou por uma fração de segundo. Ao recuperar os sentidos, começou a se debater violentamente.
Com os lábios e dentes em um embate selvagem, Ofélia não era páreo para a força de Thiago.
No meio do caos, ela foi imobilizada no sofá e o som do colarinho de sua roupa rasgando ecoou pelo ar!
Ofélia arregalou os olhos em pânico e reagiu com ainda mais fúria.
Thiago prendeu os pulsos finos dela com apenas uma de suas mãos grandes, erguendo-os acima de sua cabeça. Ele abaixou o rosto, mordiscando o lóbulo da orelha dela, enquanto seu hálito quente se espalhava contra a pele.
— Ugh...
Os movimentos de Thiago pararam abruptamente. Antes que ele pudesse raciocinar, Ofélia o empurrou, cobrindo a boca com as mãos, e correu para o banheiro.
— Ugh! Ugh...
No banheiro, a mulher debruçou-se sobre o vaso sanitário, vomitando sem parar.
Thiago levantou-se e foi até a porta do banheiro, observando Ofélia, que estava com o rosto pálido de tanto vomitar.
Ofélia havia vomitado todo o café da manhã.
Se aquilo era uma reação estomacal causada por emoções extremas ou simples enjoo matinal da gravidez, ela nem se deu ao trabalho de tentar descobrir.
O que importava era que ela vomitou e acabou com o clima de Thiago, o que acabou sendo um mal que veio para o bem.
Quando ela terminou de enxaguar a boca e se ajeitou, virou-se e viu Thiago parado na porta, encarando-a com uma expressão tenebrosa.
— Eu te dou tanto nojo assim?
— Sim. — Ofélia não hesitou. — Portanto, espero que tenha um pouco de bom senso. Assim que receber o acordo, assine. Quando estivermos divorciados, não teremos mais nada a ver um com o outro.

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