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Diamante Quebrado, A Rainha Renascida romance Capítulo 4

No cobiçado bairro nobre do centro de Alto Norte, onde era impossível encontrar um imóvel vazio, sua casa de casada com Thiago, Maré Estelar, ficava no Setor A. E aquela residência, chamada Parque das Nuvens, estava no Setor B.

Apenas uma avenida interna de pouco mais de um quilômetro separava as duas propriedades.-

Thiago e Stella haviam construído um lar e tido um filho ali, pelas costas dela. Certo.

Há quanto tempo seria isso?

Aquele garoto tinha cinco anos, o que significava que, enquanto ela definhava presa na dor de ter perdido seus bebês sem conseguir se redimir por cinco anos, Thiago desfrutava da felicidade e harmonia de uma família de três com Stella, em segredo.

Com uma nova família e uma nova criança, por que Thiago se importaria com os gêmeos que morreram naquele acidente?

Ofélia entrou novamente no veículo e fechou a porta.

Sentada lá dentro, ela tirou o celular da bolsa com um masoquismo autodestrutivo e discou para Thiago mais uma vez.

A primeira chamada não foi atendida, e ela tentou a segunda...

Ela já não se lembrava de quantas vezes havia ligado. Era como nos últimos cinco anos, quando perdia o controle emocional e telefonava sem parar para ele, apertando o botão de discagem incessantemente, mesmo sabendo que ele nunca atenderia.

Até que a noite caiu e a bateria do celular descarregou por completo. O aparelho desligou sozinho e escorregou das mãos dela.

Ela piscou os olhos ardentes e pesados, enquanto mais lágrimas rolavam.

As luzes do condomínio se acenderam, iluminando o interior escuro do carro.

Como se tivesse um pressentimento, Ofélia ergueu o olhar em direção ao quarto principal, no segundo andar da casa.

Através das cortinas da janela panorâmica, ela pôde distinguir vagamente duas silhuetas abraçadas...

Ofélia comprimiu os lábios, lutando para se acalmar, mas seu queixo continuava tremendo sem parar.

Parecia que uma lâmina impiedosa retalhava o seu coração, a dor excruciante, entrelaçada ao desespero, a estava enlouquecendo!

Ela levou a mão à maçaneta para sair, mas, no instante em que ia empurrar a porta, seus olhos captaram o exame de gravidez no painel do carro.

As palavras que os gêmeos lhe disseram no sonho ecoaram em sua mente.

No passado, ela até se questionava e repensava suas atitudes, até bater de frente com a cena da pequena família de Thiago e Stella ontem. Só então compreendeu o quanto havia sido idiota!

Por que Thiago sofreria?

Ele aproveitava as alegrias do lar com aquela nova família de três, quando voltava e olhava para ela, provavelmente a via apenas como uma lunática dando ataques de histeria.

Na verdade, os sinais já estavam todos lá quando ele não voltava para casa e usava as obrigações profissionais como desculpa, vez após vez. Ela é que estivera cega demais para enxergar.

Ao se recordar do pequeno garoto, o peito de Ofélia sofreu uma nova fisgada lancinante.

Ela sentia uma profunda injustiça em nome dos seus amados gêmeos!

— Elena, eu quero o divórcio. O Thiago é a parte culpada, e eu quero que ele saia desse casamento sem um centavo no bolso — a amargura e o ódio por ele, sedimentados após uma noite de fria lucidez, atingiram o ápice, e Ofélia disparou com uma voz frígida.

— O quê?! — do outro lado da linha, Elena ficou tão abalada que começou a gaguejar. — O Sr. Tavares é o culpado?! Ele... ele te traiu? Isso é impossível.

— Ele e a Stella foram morar juntos pelas minhas costas e até tiveram um filho — Ofélia fez uma pausa e sua voz engasgou ao retomar a fala: — Elena, a criança tem cinco anos de idade. É da mesma idade dos meus filhos...

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