— Já bateu o suficiente? — O semblante de Thiago estava sombrio. — Agora você pode me escutar de verdade?
Ofélia, transbordando aversão e resistência, empurrou-o novamente com as duas mãos.
— Fique longe de mim!
Thiago estreitou os olhos.
— Se você ainda não consegue me escutar com calma, não me importo de usar métodos mais drásticos.
A respiração de Ofélia travou.
Ela e Thiago namoraram por muitos anos, e ela sabia perfeitamente bem o que ele queria dizer com "métodos mais drásticos".
Lembrando-se do bebê em seu ventre, ela não ousou mais bater de frente com ele.
— Tudo bem, solte-me primeiro. — Ela respirou fundo, reprimindo a raiva, e falou.
Ao vê-la ceder, Thiago ergueu levemente a sobrancelha.
A submissão de Ofélia sempre lhe agradava.
Sua expressão suavizou-se um pouco, ele a soltou, levantou-se e sentou-se ao lado.
Ofélia apoiou-se na cama para sentar, instintivamente ajeitando a barra da blusa.
Thiago virou o rosto para observá-la.
— Agora você pode falar. — Ofélia levantou-se, caminhou até o sofá em frente à janela panorâmica e sentou-se, olhando para ele com frieza.
Thiago ficou insatisfeito com aquela atitude, mas conhecia bem o temperamento de Ofélia.
Se não fosse pela perda trágica dos gêmeos, ela ainda seria uma garota vibrante e cheia de amor pela vida...
Ao recordar a Ofélia do passado, as emoções de Thiago tornaram-se complexas.
Ele costumava vê-la como o pequeno sol que iluminava sua vida, e certa vez jurara secretamente dar a ela uma vida inteira de mimos e proteção.
No entanto, o destino pregou-lhes uma peça...
Thiago afastou os pensamentos e massageou as têmporas.
— Cinco anos atrás, o carro funerário que levava os gêmeos ao cemitério colidiu com um caminhão no meio do caminho. O veículo pegou fogo na hora e as chamas eram intensas demais. Quando as equipes de resgate chegaram, o carro já estava carbonizado e irreconhecível. O motorista e o outro funcionário também não sobreviveram.
Thiago a observava, engolindo em seco com dificuldade.
A voz de Ofélia tornou-se um sussurro:
— Assim que fecho os olhos, a única imagem que surge é a do sequestrador segurando um taco de beisebol e golpeando com força a minha barriga, e depois, aquele vermelho ofuscante...
— Não diga mais nada... — Thiago abaixou o olhar, incapaz de continuar encarando-a. — A culpa do que aconteceu com as crianças é minha. Fui eu quem falhou com você.
— Não, você falhou com o seu casal de filhos. — Ofélia levantou-se e secou as lágrimas. — Sabe de uma coisa? A maneira como você acalentava aquele menino era realmente terna. Antigamente, eu também fantasiava que você ninaria as minhas crianças do mesmo jeito.
Thiago levantou a cabeça bruscamente para olhar para Ofélia.
Naquele momento, um traço genuíno de dor cruzou seus olhos.
Mas Ofélia já não se importava.
— Assim que o acordo de divórcio estiver redigido, pedirei ao advogado que o envie para a empresa. Não quero este apartamento. Como combinamos antes, ficarei com todos os bens que construímos juntos.
De qualquer forma, você ainda tem o Grupo Tavares, então essa pequena parte do patrimônio conjugal não significa nada para você.
Não deixarei que Stella e aquela criança desfrutem dos frutos do meu trabalho. Se você realmente sente remorso pelos meus filhos, então assine logo os papéis e acabemos com isso.

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