Beatriz devia estar apavorada desde o acidente.
Marcelo abriu a boca, querendo consolar a irmã.
Mas, assim que tentou falar, sua garganta estava tão seca que nenhum som saiu, talvez por não ter pronunciado uma palavra durante todo o coma.
Ao ver a irmã tão aflita, sentiu um aperto no coração e só pôde usar o olhar para sinalizar que ela não precisava se preocupar, afinal, ele estava vivo.
Beatriz percebeu o olhar de Marcelo e entendeu imediatamente que a garganta dele estava seca demais para falar.
Ela se levantou para servir um copo de água e, com cuidado, umedeceu os lábios de Marcelo com um cotonete.
O líquido fresco aliviou os lábios rachados e desceu pela garganta, permitindo que Marcelo recuperasse o fôlego.
Mesmo após beber um pouco de água, a voz de Marcelo ainda soava rouca, como se tivesse sido lixada, áspera e seca.
Ele olhou para Beatriz e pronunciou as palavras com dificuldade:
— Beatriz... não tenha medo...
— Eu... estou bem...
Embora a cirurgia de Marcelo tivesse sido um sucesso, a recuperação de ossos quebrados leva tempo. Como a lesão foi nas costelas, falar puxava os ferimentos, e aquelas poucas palavras pareceram exigir um esforço monumental de Marcelo.
No entanto, talvez por ter a irmã ao seu lado naquele momento, apesar da dor intensa no corpo, ouvir as lamúrias preocupadas de Beatriz trouxe uma sensação inexplicável de sorte por ter sobrevivido.
Neste momento, Marcelo sentiu que estar vivo era algo maravilhoso.
Diante da frase do irmão, Beatriz desmoronou; o pânico e o medo que segurou por dias romperam como uma represa estourada.
Ela não conseguiu conter o choro baixo, e as lágrimas caíam uma a uma no lençol, molhando o tecido.
O choro de Beatriz era silencioso e frágil, como se contivesse toda a angústia e o terror que ela suportara naquele período.

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