— Só lá eu me sentiria segura com a nossa menina. Aqui, caso aconteça alguma coisa...
— Pai! — Amália levantou os olhos cheios de lágrimas, olhando para Leonardo Marques com uma súplica urgente.
— A poeira na Vila das Nuvens Cinzentas já deve ter baixado, não é?
— Podemos ser cuidadosos, muito cuidadosos, trocar por identidades que ninguém conheça e voltar, não podemos?
— Pai, eu imploro, vamos voltar! Pela nossa menina, sim?
As lágrimas da filha pareciam pérolas de um colar arrebentado, e cada uma delas atingia a dura barreira do coração de Leonardo.
O rostinho adormecido e inocente da neta tornava aquele apelo ainda mais pesado.
Ele ficou em silêncio, com as sobrancelhas unidas, pesando os prós e contras rapidamente em sua mente.
Os ecos da queda da família Saramago estavam, de fato, diminuindo, e o comitê conjunto de investigação parecia ter novos alvos.
Ficar escondido na fronteira era seguro, mas a falta de informações impedia muitas das suas ações.
A Vila das Nuvens Cinzentas... afinal, também era o território que ele havia construído por muitos anos. Uma raposa esperta sempre tem vários esconderijos. Sempre haveria algum abrigo secreto disponível.
O mais importante é que, vendo a filha murchar dia a dia e pensando no ambiente em que a neta cresceria... permanecer ali não era, de forma alguma, um plano sustentável.
Leonardo Marques continuou a pesar as opções na mente.
Uma ideia começava a ganhar forma.
Amália, vendo-o calado por tanto tempo com o olhar inescrutável, sentiu o coração afundar aos poucos. Acreditando que sua súplica havia sido em vão, novas lágrimas surgiram, mas ela mordeu os lábios de forma obstinada, em silêncio, apertando o bebê ainda mais nos braços.
Leonardo soltou um longo e pesado suspiro. Tirou o lenço que trazia consigo e o entregou a Amália, falando com uma voz grave:
— Tudo bem, pare de chorar.
— Você ainda não terminou o seu resguardo, chorar demais prejudica os olhos, e não fará bem a você.
Amália olhou para ele, incrédula, sem pegar o lenço.
Leonardo colocou o lenço nas mãos dela e, olhando para os olhos vermelhos da filha, disse pausadamente:

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