Felipe Oliveira estava internado ali.
Ao entrar na área dos quartos, o ar era impregnado por um cheiro de produtos de higienização misturado a um leve aroma de extratos botânicos relaxantes. O silêncio era tanto que ele conseguia ouvir o eco de seus próprios passos.
Aquele era o setor de repouso e reabilitação do hospital, considerado um ambiente mais calmo e isolado do que a área comum de internação.
Os corredores eram largos e iluminados, com paredes pintadas em um tom suave de bege claro. Algumas pinturas abstratas adornavam o caminho, enquanto plantas verdes estavam espalhadas em pontos estratégicos para adicionar tranquilidade.
Guiado pela enfermeira, Rodrigo chegou diante de um quarto no fim do corredor.
A enfermeira murmurou em um tom calmo:
— O Sr. Felipe está lá dentro. Hoje ele está com o humor estável, passando o tempo lendo. Pode entrar, Sr. Oliveira. Se precisar de algo, basta apertar a campainha.
Após o aviso, ela se retirou cordialmente.
Rodrigo não abriu a porta de imediato; em vez disso, espiou pelo pequeno visor de vidro na parte superior da porta para olhar lá dentro.
O quarto não era muito grande, mas irradiava limpeza e luz, graças a uma janela que ficava voltada para o sul. O sol da tarde filtrava-se através da fina cortina transparente, desenhando silhuetas irregulares no piso.
Próximo à janela havia uma poltrona individual. Um rapaz magro e de aparência frágil estava ali, confortavelmente vestido no pijama listrado azul claro da clínica, completamente compenetrado.
Com a cabeça ligeiramente inclinada, ele se concentrava no livro que mantinha aberto no colo.
A luz contornava seu perfil, evidenciando que seu rosto estava um pouco mais encorpado em comparação à sua aparência esquelética meses atrás, quando Rodrigo o visitara pela última vez. Aos poucos, retornava uma aura juvenil e viva ao seu semblante.
Seus cabelos haviam sido cortados bem rentes, exibindo uma testa limpa e lisa.
Porém, o que trouxe um sutil alívio para Rodrigo foi perceber seu olhar.
Pelo vidro espesso, podia ver a sombra das longas pestanas sobre os olhos do rapaz. Seus olhos fitavam os parágrafos pacificamente, às vezes passeando pelas linhas, carregando traços de racionalidade e análise.
Seu olhar estava lúcido, livre daquele brilho ensandecido de obsessão doentia de antes.
A cena inteira trazia uma calmaria pacífica que chegava a ser quase irreal.

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