Ele falava de forma impecável, sem negar a influência de Jocelino, mas enfatizando a justiça processual.
Aeliana entendia, mas insistiu:
— De qualquer forma, foi graças a você. Quando eu voltar da viagem, vamos jantar. Quero te agradecer direito.
Santiago riu do outro lado.
— Combinado. Espero você voltar. Vou te cobrar um banquete!
Lembrando que Aeliana iria para a fronteira em breve, Santiago não conteve a preocupação e reforçou os conselhos.
— Sei que, com sua personalidade, já deve estar preparada. Mas preciso insistir. A situação na fronteira é complexa. Você e o Sr. Barreto precisam ter cuidado redobrado.
Aeliana não conseguiu segurar o riso; aquele jeito "tagarela" não combinava com a imagem de durão dele.
— Eu sei. Terei cuidado. Obrigada por hoje. Quando eu voltar, conversamos mais.
...
Marcelo permaneceu em coma por dois dias antes de acordar.
Pela manhã, um raio de sol atravessava as persianas, projetando faixas de luz no chão do quarto de hospital.
Na cama, as pálpebras de Marcelo tremeram. Os olhos se moveram sob a pele fina até que, com esforço, ele abriu uma fresta.
O teto branco preencheu sua visão. Ele olhou ao redor, demorando a processar que estava num hospital.
O cheiro forte de desinfetante invadiu seu nariz, irritante, mas estranhamente tranquilizador.
Então, ele tinha sido salvo?
O pensamento cruzou sua mente.


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