Henrique moveu os lábios, com a garganta seca, querendo dizer algo, mas nenhuma palavra saiu.
Ele não tinha dinheiro algum agora.
Henrique estava doente e precisaria de uma grande quantia para o tratamento futuro.
Além disso, com essa doença, ele nunca mais poderia usar sua aparência e lábia para arrancar dinheiro de mulheres ricas como fazia antes.
Ele mal conseguia se salvar, como ajudaria a família Oliveira?
Henrique baixou a cabeça, evitando o olhar do pai, e sua voz saiu fina como um zumbido:
— Pai, não olhe para mim. O senhor sabe que meu contrato com a empresa foi rescindido e tenho uma pilha de multas para pagar. De onde eu tiraria dinheiro para salvar a família?
Gustavo viu o olhar esquivo e as desculpas dos dois filhos, e sua última esperança se despedaçou completamente.
Quando a árvore cai, os macacos se dispersam.
Diante do desastre, cada um voa para um lado.
Seus filhos eram inúteis; no final das contas, não podia contar com nenhum deles.
O peito de Gustavo subiu e desceu violentamente algumas vezes; ele fechou os olhos, respirando com dificuldade, e parou de olhar para eles, como se até mesmo vê-los fosse exaustivo demais.
O monitor cardíaco começou a emitir um alarme estridente.
Enfermeiras entraram correndo para ajustar o equipamento, e o quarto virou uma confusão.
Daniela observava a cena caótica, sentindo o coração gelado e a situação absurda.
Criou os filhos por tantos anos e, no fim, não podia contar com nenhum.
Lágrimas escorreram silenciosamente de seu rosto enquanto ela segurava firme a mão do marido.
Quando as emoções de Gustavo finalmente se estabilizaram, as enfermeiras, impacientes com o vaivém, deram um aviso.
Pediram que Gustavo controlasse suas emoções, pois ele acabara de sair da emergência; se continuasse assim, poderia ter que voltar para lá.
Ouvindo as palavras das enfermeiras, Gustavo ficou com o rosto cinzento.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Despertar Depois dos 1460 dias