— Não. — Respondeu Gervásio, de forma seca e direta.
— Ótimo. — Ao receber a resposta definitiva, o último fio de confiança que Marcelo tinha em Gervásio se rompeu.
A calma excessiva de Marcelo fez surgir uma inquietude no coração de Gervásio, como se algo estivesse gradualmente escapando de seu controle.
Mas a pessoa misteriosa já havia dado a ordem.
Por causa daquele grande investimento, Marcelo teria que ser sacrificado temporariamente.
Gervásio não sabia o que se passava na mente de Marcelo, então tentou persuadí-lo mais uma vez.
— Marcelo, me escute, é apenas uma criança.
— Além disso, é seu filho. Seja generoso, não há necessidade de não tolerá-lo.
Marcelo não reagiu, apenas encarou Gervásio com aquele ar de "pai benevolente".
Achou aquilo a coisa mais irônica do mundo.
— Como mais eu devo te escutar? Continuar atuando ao lado de uma mulher que não amo? E depois criar uma criança que eu não desejo? Pai, a minha vida não é uma peça no seu tabuleiro de xadrez.
— Marcelo! — Gritou Gervásio, severo. — Você está passando dos limites!
— Pois hoje eu vou passar de todos os limites!
Marcelo já havia sido pressionado ao extremo por Gervásio.
— Não importa o que diga hoje, essa criança será resolvida. Vou levar a Amália para o hospital agora mesmo.
Ele disse isso e virou-se para sair.
— Pare!
Gervásio avançou bruscamente, agarrando o braço do filho.
— Você não ouse!
— Por que eu não ousaria?
Marcelo sacudiu o braço com força, livrando-se do pai.
— Foi o pai quem me obrigou!
— PLAFT!
Um estalo nítido de um tapa ecoou no rosto de Marcelo.


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