Tudo porque ele fazia tudo pelo bem desta família, mas ninguém compreendia suas boas intenções.
Camila ouviu as palavras de Gervásio e franziu ainda mais a testa, encarando-o fixamente.
— O Marcelo não é do tipo que te confronta sem motivo.
— O problema com a família Oliveira não estava resolvido? O que aconteceu de novo para você chegar ao ponto de bater nele?
Lembrando-se das acusações que Marcelo acabara de lhe fazer, Gervásio acenou com a mão, impaciente.
— Ai, para que tantas perguntas?! Mesmo que eu explicasse, você não entenderia. O que uma mulher entende disso? Os assuntos da empresa não são tão simples quanto você pensa! As asas dele cresceram, e agora ele ousa desobedecer até as minhas ordens!
— Eu não entendo?
A voz de Camila também esfriou.
— Gervásio, você bate no seu filho e ainda acha que está certo? Ele é um homem feito, e você ainda resolve as coisas na base da agressão? Não existe nada que não possa ser resolvido na conversa?
Camila não queria levantar a voz para Gervásio, mas a atitude dele estava fazendo seu sangue ferver.
O filho tinha saído de casa por causa dele, e Gervásio não demonstrava o menor arrependimento ou preocupação; ao contrário, só sabia se justificar.
— Na conversa? E ele me escuta se eu falar numa boa?
Gervásio também foi provocado por Camila e aumentou o tom de voz, tentando encobrir sua culpa com raiva.
— Se quer saber, o Marcelo ficou assim por sua causa. É porque você sempre mimou demais eles! Por isso agora são tão desrespeitosos!
O filho era assim, a filha também.
Todos pensavam nos outros, nunca na própria família.

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