Seu filho era excelente em tudo, exceto quando se tratava de sentimentos; ele era hesitante e indeciso, e passava os dias focado apenas no divórcio com Amália.
— O que isso tem a ver com eu herdar o Grupo Costa ou não?
Como sempre, Gervásio desviava do assunto.
Marcelo franziu a testa, enfatizando sua posição:
— Você já tinha combinado tudo comigo antes. Disse que eu poderia me divorciar da Amália, assim que o plano funcionasse.
— Agora nosso plano deu certo, e a família Oliveira está prestes a cair nas suas mãos.
— Está dizendo isso agora porque quer voltar atrás? Ou será que tudo o que me prometeu antes era mentira? Apenas para me enganar e fazer com que eu o ajudasse?
Gervásio ficou em silêncio por um momento; ele queria explicar ao filho, mas não sabia por onde começar. Além disso, sobre o misterioso investidor, ele só havia contado ao seu assistente de maior confiança, nem mesmo seu filho sabia.
Evitando o olhar do filho, talvez por sentir um pouco de culpa, a atitude de Gervásio suavizou-se, adotando um tom quase persuasivo.
— Os tempos mudaram, Marcelo.
— Independentemente do que Amália tenha feito contra a família Costa no passado, a criança é inocente. E, no fim das contas, ela carrega o seu bebê.
— Abortar não seria cruel demais?
Marcelo ficou atônito por um instante, como se tivesse ouvido uma piada de mau gosto.
Ele encarou Gervásio fixamente.
— Cruel? Pai, não foi isso que você disse naquela época.
— Naquele tempo, você me disse com todas as letras que essa criança era um problema, uma ferramenta, e que depois de usada deveria ser descartada. O senhor apoiava meu divórcio com a Amália.
— E agora vem me dizer que é cruel?
Nesse momento, Marcelo entendeu tudo.
Gervásio havia mudado de lado.
O olhar de Marcelo para Gervásio tornava-se cada vez mais decepcionado.


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