A multidão de espectadores, ao ver a gravidade dos ferimentos, arfou em choque, explodindo logo em seguida em rugidos ainda mais furiosos.
Alguém pegou um pedaço de madeira e golpeou a porta de vidro com violência.
Com um estrépito metálico, a porta inteira do Grupo Oliveira estremeceu.
Nádia prendeu a respiração.
Aquilo não parecia uma simples cobrança de salários; era o início de um motim.
Se continuasse assim, algo terrível aconteceria.
— Nádia!
A recepcionista olhou para Nádia como se visse sua salvação.
— Eles dizem que querem ver o Presidente, ou vão invadir!
O Presidente não era alguém tão fácil de se encontrar, ainda mais com Gustavo preso em uma reunião na sala de conferências.
Nádia forçou-se a manter a calma:
— Chamaram a polícia?
— Sim! Mas ligamos para o 190 e disseram que levará pelo menos vinte minutos para chegarem!
Nádia respirou fundo e caminhou rapidamente em direção à entrada.
O chefe da segurança, suando frio, tentou bloqueá-la:
— Nádia! Não vá lá! É muito perigoso!
Nádia balançou a cabeça:
— Alguém precisa falar com eles.
Ela parou diante da porta de vidro e elevou a voz:
— Senhores! Por favor, acalmem-se por um momento. Podemos conversar civilizadamente sobre qualquer problema.
Nádia se identificou para a multidão:
— Eu sou Nádia, secretária da presidência! Se houver problemas, podem enviar representantes para entrar e conversar!
— A violência não resolverá nada!
A multidão silenciou por um instante, mas logo explodiu em uma fúria ainda maior.
— Não a escutem! Essa mulher é só uma secretária, que poder ela tem?
— Aposto que o Gustavo está com medo de sair e mandou uma mulher para levar a culpa!
Quem falava parecia ter argumentos lógicos, mas soava mais como alguém tentando manipular as emoções daqueles trabalhadores.


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