O rugido da multidão quase arrancava o teto.
Alguém golpeava a porta de vidro com força. O som surdo, *pam-pam*, fazia o rosto dos seguranças no saguão empalidecer.
Hilda Junqueira, a recepcionista, nunca tinha visto uma cena daquelas. A força opressora daquela massa humana era aterrorizante.
Ela pegou o telefone em pânico, com os dedos trêmulos, discando o número da secretaria da presidência.
Talvez fosse apenas uma ilusão sua, mas o toque do telefone, geralmente breve, parecia durar uma eternidade naquele momento.
Hilda agarrou o fone com força, os nós dos dedos brancos de tensão.
Seu olhar atravessava a porta de vidro, fixo com terror na multidão que crescia lá fora.
Aqueles trabalhadores furiosos agitavam faixas e esmurravam o vidro, produzindo baques abafados.
*Pá!*
Mais um estrondo. Rachaduras se espalharam pela porta de vidro como teias de aranha.
A mão de Hilda Junqueira tremia tanto que mal conseguia segurar o aparelho. Com a voz trêmula, ela finalmente conseguiu falar com o escritório da secretária.
— Nádia! — Sua voz estava embargada pelo choro. — Aconteceu algo horrível aqui embaixo! Tem muita gente... muita gente bloqueando a entrada. Eles... eles dizem que querem ver o Presidente!
...
No escritório da secretaria, no último andar.
Nádia tinha acabado de levantar sua xícara de café quando atendeu o telefone. Planejava aproveitar um breve momento de descanso enquanto Gustavo e os outros estavam em reunião.
Mas não conseguiu beber nem um gole.
O toque urgente do telefone cortou o silêncio.
Ela franziu a testa ao atender, ouvindo a voz desesperada da recepcionista do outro lado da linha.
— Nádia! Por favor, desça aqui rápido! O saguão... não vamos conseguir segurá-los por muito tempo!
O tremor na voz da recepcionista, causado pelo pânico e pelo medo, era impossível de disfarçar.
Nádia pousou a xícara de café, com a testa levemente franzida:
— O que está acontecendo?
— Um grupo de operários apareceu do nada na frente da empresa. Dizem que vieram cobrar salários atrasados. Estão muito exaltados, os seguranças já não conseguem conter a multidão!
— É melhor a senhora descer para ver a situação.
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