Aeliana abriu a geladeira e respondeu com um tom calmo:
— Não precisa. Talvez o Jocelino tenha tido um imprevisto. Nem é certeza que ele vá à mansão da família Barreto hoje.
……
Talvez Jocelino tivesse encontrado algum problema de última hora?
Talvez ele apenas estivesse ocupado e, assim que terminasse, viria procurá-la.
Talvez... aquela menção ao aniversário tivesse sido apenas algo dito da boca para fora por Jocelino, e ele nem sequer levou o assunto a sério.
Ou talvez, a tal "surpresa" fosse apenas fruto da imaginação dela.
……
Beatriz estava sentada à mesa de jantar, espiando furtivamente as costas de Aeliana.
Ela queria dizer algo, mas não sabia o que falar.
Por fim, ela apenas sugeriu em voz baixa:
— Aeliana, que tal... se a gente pegasse o bolo que está na geladeira para comer?
Aeliana parou seus movimentos por um instante e assentiu:
— Está bem.
……
O bolo foi colocado na mesa. Era pequeno e o chantilly estava um pouco derretido, mas os morangos continuavam vermelhos e adoráveis.
Aeliana cortou um pedaço e provou.
O doce se espalhou por sua língua, mas em seu coração havia um traço de amargura.
Beatriz mordeu o garfo, hesitou por um momento, mas acabou pegando o celular.
— Aeliana.
— Que tal se eu mandasse uma mensagem para o Sr. Barreto perguntando?
Aeliana segurou a mão dela:
— Beatriz, não.
Ela sorriu, com a voz suave:
— É apenas um aniversário, não é nada demais, não é um grande evento.
Embora Aeliana dissesse isso, Beatriz percebeu a decepção que ela mal conseguia esconder.
……
O céu escureceu completamente.
Aeliana estava na varanda, olhando para a vista noturna da cidade com seus neons piscando ao longe, sentindo um vazio no peito.
Ela tinha dito a si mesma para não criar expectativas.
Aeliana se abaixou para pegar o cartão.
Ela conhecia aquela caligrafia muito bem.
Era, sem dúvida, a letra de Jocelino.
O que diabos Jocelino estava aprontando?
Aeliana levantou a cabeça e olhou para o final do corredor, onde havia um ponto de luz fraca, como um vagalume guiando o caminho.
Seu coração acelerou de repente.
Aeliana seguiu a luz e, sem perceber, chegou à entrada da escada que levava ao terraço.
A porta do último andar estava entreaberta e uma luz suave escapava pela fresta.
Ela respirou fundo e empurrou a porta.
No terraço, o céu estava estrelado.
Inúmeros fios de luzes estavam enrolados nas grades e nos suportes de flores, como se a Via Láctea tivesse se derramado ali, brilhando intensamente.
E Jocelino estava parado no centro daquela luz estelar, em um terno impecável, segurando um enorme buquê de rosas vermelhas.
A brisa da noite soprava, movendo a bainha de sua roupa e as pontas de seu cabelo, dissipando também o último vestígio de tristeza no coração de Aeliana.
Ela ficou parada no lugar, sentindo os olhos levemente aquecidos.

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