— Mas, peço desculpas porque este ano não poderei celebrar com você pessoalmente.
Santiago também não esperava tamanha coincidência; justo na época do aniversário de Aeliana, a delegacia o enviou para uma viagem a trabalho.
Ele falou com um tom de pesar:
— Surgiu um caso de última hora em outra cidade, então só posso te parabenizar por telefone. Seu presente vai ter que esperar eu voltar para ser entregue.
Aeliana negou:
— Não precisa, só de você lembrar do meu aniversário eu já fico feliz.
— Não precisa se preocupar com presente.
— Nada disso — insistiu Santiago. — Como pode haver aniversário sem presente? Ainda mais...
Ele fez uma pausa, e sua voz ficou mais suave:
— Considerando que somos "amigos de infância".
Ele prolongou propositalmente as últimas palavras, com um tom de brincadeira.
Aeliana não conteve o riso, sem pensar muito:
— Por favor, comporte-se.
Santiago também riu e estava prestes a dizer algo, quando, do outro lado da linha, ouviu-se o grito de um colega:
— Santiago! Pegamos o suspeito!
Santiago respondeu ao chamado e disse apressadamente para Aeliana:
— Tenho que ir trabalhar, conversamos quando eu voltar.
Aeliana assentiu:
— Tudo bem, cuidado.
A chamada foi encerrada. Aeliana segurava o celular, ainda com um sorriso nos lábios.
Talvez por ter recebido tanto carinho e bênçãos hoje, o humor de Aeliana esteve ótimo o dia todo.
Depois dos amigos, alguns ex-pacientes que souberam que era aniversário dela também enviaram muitas felicitações.
Mas o que deixava Aeliana confusa era uma coisa.
Desde a manhã, Jocelino não havia mandado nenhuma mensagem.
No início, Aeliana esperou cheia de expectativa.
Mas a ausência de notícias continuou até a noite, e Jocelino sequer entrou em contato.
O céu escureceu gradualmente, a luz do sol se foi, dando lugar às luzes da cidade que se acendiam uma a uma.
Aeliana estava sentada no sofá; a tela do celular acendia e apagava, apagava e acendia.
Ela desbloqueou a tela e entrou no WhatsApp.
A conversa com Jocelino permanecia parada no "boa noite" da véspera.
Aeliana encarava a tela, mas não absorvia uma palavra sequer.
O celular vibrou de repente.
Aeliana pegou-o quase imediatamente para olhar.
Era uma mensagem de propaganda de outro aplicativo.
Ela fechou os olhos, sentindo como se algo apertasse levemente seu peito.
Beatriz percebeu seu estado e perguntou com cuidado:
— Quer que... eu ligue para a Aline para perguntar o que está acontecendo?
Aeliana negou:
— Não precisa.
Ela se levantou e foi em direção à cozinha:
— Está com fome? Vou preparar algo para comer.
Beatriz correu atrás dela:
— Mas o vovô Eduardo não disse que tinha um jantar de família hoje à noite...?
— Você não vai mais à mansão da família Barreto?

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