— Meu Deus... Sra. Rabelo, onde você encontrou essa preciosidade!
A Sra. Almeida cobriu a boca com uma exclamação, o olhar grudado em Henrique, incapaz de se desviar.
A taça de vinho na mão da Sra. Sousa parou no ar, e um brilho de deslumbramento passou por seus olhos:
— Isso é muito mais excitante do que aquele modelinho da última vez.
Henrique parou sob a luz, assentiu levemente, e os lábios se curvaram em um sorriso superficial perfeito.
Aqueles olhos de flor de pessegueiro, naturalmente sedutores, varreram o salão suavemente, com uma provocação indolente e quase imperceptível, como se ele tivesse realmente se tornado uma raposa milenar, capaz de roubar almas com facilidade.
A Sra. Rodrigues observou com satisfação a reação obsessiva das irmãs e segurou o braço de Henrique com intimidade, beliscando levemente suas orelhas de raposa.
— O que acham? O visual do meu garoto agrada aos olhos das senhoras?
— Agrada e muito! — A Sra. Almeida aproximou-se rapidamente, quase colando em Henrique para examiná-lo. — Essas orelhas são tão realistas, o toque é tão macio...
Ela estendeu a mão para tocar enquanto falava. Henrique inclinou levemente a cabeça, mas não se esquivou, apenas riu baixo:
— A Daniela gostou?
Aquele "Daniela" soou grave e magnético. A Sra. Almeida corou instantaneamente e deu um tapa leve nele, em tom de repreensão:
— Raposinha sedutora, sabe mesmo como provocar!
A Sra. Sousa também não conseguiu ficar parada; levantou-se e ofereceu uma taça de vinho:
— Ficar só olhando não tem graça. Que tal beber uma com a gente?
Henrique sentou-se ao lado da Sra. Sousa, pegou a taça e, com os dedos roçando "acidentalmente" no pulso dela, bebeu tudo de um gole só.
Quando seu pomo de adão se moveu, ouviu-se um som de respiração contida ao redor.
— Bom vinho. — Ele sorriu, lambendo os lábios e estreitando os olhos. — Mas... não tão encantador quanto a Sra. Sousa.
A Sra. Sousa riu, tremendo de alegria, e puxou-o para o sofá ao seu lado:
— Você e essa sua boca doce! Mais uma taça!
Forçá-lo a vir aqui mesmo não se sentindo bem.
Afinal, uma "mercadoria" de alta qualidade com a beleza de Henrique ainda era rara. A Sra. Rabelo ponderou por um momento.
Ela se aproximou de Henrique, os lábios vermelhos quase tocando sua orelha.
— Claro, quem mais mima você sou eu...
— Henrique, aquela empresa que combinamos de abrir para você já está quase tudo certo.
Deslizando os dedos pelo bolso do terno de Henrique, a Sra. Rabelo colocou um cartão magnético.
— Depois que terminar aqui, vá para o meu quarto. A chave do seu iate está lá esperando por você.
Ao ouvir sobre a empresa, a expressão de Henrique suavizou um pouco, e um sorriso voltou aos seus lábios.
— Entendi, obrigado Sra. Rabelo.

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