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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 624

Ao entardecer.

Gervásio empurrou a porta de casa, entregou a pasta despreocupadamente para a empregada que veio recebê-lo e afrouxou a gravata, com um traço de cansaço no rosto.

Na sala de estar, Marcelo Costa estava encolhido no sofá lendo um livro; a luminária de chão amarela iluminava seu perfil ligeiramente pálido.

Ao ouvir o barulho da chegada de Gervásio, ele nem levantou a cabeça, apenas virou uma página do livro.

Gervásio trocou os sapatos por chinelos, foi até o bar e serviu-se de um copo de uísque; o gelo tilintou contra o vidro com um som nítido.

Ele tomou um gole da bebida, passou os olhos pelo filho e, de repente, lembrou-se da promessa que fizera a Gustavo Oliveira na reunião de acionistas do Grupo Oliveira hoje.

— Quando a saúde de Amália melhorar, eu mesmo levarei Marcelo até lá para pedir perdão e a trarei de volta para a família Costa com todas as honras.

Naquele momento, embora Gustavo não tivesse cedido verbalmente, seu olhar havia suavizado visivelmente.

Pensando nisso.

Gervásio pousou o copo, caminhou até o sofá, e sua sombra projetou-se sobre as páginas do livro de Marcelo.

Dirigindo-se a Marcelo, ele disse:

— Você vai à família Oliveira amanhã.

O tom de Gervásio não admitia contestação.

O movimento de Marcelo virando a página parou, e ele levantou os olhos para o pai:

— Ir à família Oliveira para quê?

— Pedir desculpas a Amália Oliveira e, de quebra, trazê-la de volta.

Gervásio falou com um tom casual, como se estivesse falando de algo corriqueiro.

Mas ele havia esquecido que, desde que Gervásio deu um tapa em Marcelo na frente de tantas pessoas por causa de Amália, a aversão de Marcelo por ela só havia aumentado.

Agora que Amália estava na família Oliveira, ela não podia ficar zanzando na frente dele.

Longe dos olhos, longe do coração.

Marcelo não queria nem saber de ir buscar Amália.

Por isso, ao ouvir essa exigência de Gervásio, o rosto de Marcelo esfriou instantaneamente.

Ele fechou o livro, endireitou o corpo e recusou explicitamente a ordem de Gervásio.

— Eu não vou.

— Ela está muito bem na família Oliveira, por que eu iria lá buscá-la?

— Bem? — Gervásio franziu a testa.

— Vai ficar com essa cara para quem ver?

— Esse é um problema que você mesmo criou.

— Não me importa que meios a Amália usou, agora que ela carrega um filho da família Costa, ela é uma pessoa da família Costa.

Ele se levantou, parou na frente de Marcelo, com um olhar opressor.

— Marcelo, você é meu único filho e no futuro herdará a família Costa. Se não consegue controlar nem essa pequena emoção, como vai arcar com essa responsabilidade?

Marcelo virou o rosto, a voz rígida:

— Não importa o que você diga, eu não vou buscá-la, e muito menos pedir desculpas.

De qualquer forma, pedir desculpas àquela mulher, só em sonho.

Marcelo não cedia nem por bem nem por mal.

Gervásio ficou tão irritado que levantou a mão para bater, mas ao ver o olhar teimoso do filho, conteve-se à força.

Para pegar uma cobra, deve-se mirar no ponto fraco.

Gervásio estreitou os olhos e, de repente, suavizou o tom.

— Marcelo, você não queria muito se divorciar de Amália?

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