Afinal, tudo começou pela curiosidade dela.
Quem liga pra esse sinalzinho.
Henrique estava rangendo os dentes de raiva, batendo com força na mesa até os nós dos dedos ficarem brancos.
— Quem se importa com esse seu sinal de pagamento miserável!
— Você não diz que pode curar qualquer doença?
Ele sabia que ela havia curado inúmeros casos difíceis, e agora ele tinha apenas uma pequena inflamação.
Henrique não acreditava que a habilidade médica dela não fosse capaz de resolver isso.
Aeliana levantou os olhos para ele, os lábios curvados levemente sob a máscara, e falou com lógica implacável.
— Sr. Oliveira, eu sou médica, não sou mágica.
O tom dela era frio.
— Eu costumava aceitar casos raros e complexos, mas é a primeira vez que vejo algo algo tão íntimo quanto o seu.
— Sua condição é de fato um tanto peculiar para mim; minha experiência é limitada, então sugiro que procure outro especialista.
Henrique percebeu sensivelmente o escárnio da médica, seu peito arfava violentamente e a fúria queimava em seus olhos, prestes a dificultar as coisas para Aeliana.
De repente, um toque de celular estridente soou.
Henrique pegou o celular com irritação, e a tela exibia claramente o nome "Sra. Rabelo".
Seu rosto ficou feio instantaneamente, o dedo pairando sobre o botão de atender, hesitando.
Aeliana lançou um olhar, lembrando-o com um sorriso que não chegava aos olhos.
— Senhor, parece que seu telefone está tocando.
— Não precisa ir lá fora atender?
Henrique lançou-lhe um olhar feroz, mas acabou pressionando o botão de atender, forçando a voz a soar suave:
— Alô, Sra. Rabelo...
Do outro lado da linha veio a voz encantadora e sedutora de uma mulher:
— Henrique, querido, o que você fez hoje? Por que demorou tanto para atender?
— As meninas estão te esperando hoje. Vem logo...
— Esqueça, eu vou aguentar e ir.
— Afinal, Sra. Rabelo, você planejou tanto para mim, se eu não for, estarei desperdiçando sua bondade.
A Sra. Rabelo foi persuadida por Henrique e riu alegremente.
— Você, hein? Essa sua boca esperta é a que melhor sabe agradar.
— Já que é assim, vou te mandar o endereço; termine seus assuntos e venha para cá.
— Estou te esperando aqui...
A Sra. Rabelo desligou o telefone após deixar um convite cheio de ambiguidade e imaginação.
O consultório caiu em um silêncio mortal.
Aeliana recostou-se na cadeira, observando-o com calma.
— Parece que agora não há como ficar aqui para tratar a doença.
— É melhor o senhor se apressar para cuidar dos seus assuntos.

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