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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 614

Se não tinha jasmim fresco, o seco serviria.

— Tudo bem, então pode ser. Obrigada.

Aeliana sorriu e assentiu para a dona.

A mulher começou a arrumar os buquês com agilidade, enquanto conversava:

— A moça vai visitar algum parente?

Aeliana soltou um leve "hum" e olhou para fora da janela.

Na rua, os pedestres passavam apressados, ouvia-se ao longe o som de vendedores ambulantes, e o ar trazia um leve cheiro de incenso.

Talvez por causa da proximidade do Dia de Finados.

As imediações do cemitério não estavam tão desertas quanto de costume; o fluxo de carros e pessoas era constante.

Até parecia estranhamente movimentado.

A dona entregou-lhe os buquês prontos:

— Os crisântemos brancos são sóbrios, adequados para os mais velhos; este com jasmim seco tem um aroma doce e suave, sua família com certeza vai gostar.

Aeliana pegou as flores, tocou as pétalas macias com a ponta dos dedos e agradeceu baixinho.

...

No portão do cemitério, Santiago já esperava há algum tempo.

Ele vestia um terno preto, mantinha uma postura ereta, mas havia uma suavidade rara em seu semblante.

Ao ver Aeliana se aproximar, ele deu alguns passos à frente para pegar as flores das mãos dela:

— Deixe que eu levo.

Aeliana assentiu, e os dois entraram no cemitério lado a lado.

O caminho de pedras era ladeado por ciprestes verdes, as lápides estavam alinhadas, e ocasionalmente ouvia-se o choro contido de alguém prestando homenagens. O ar estava impregnado com o cheiro de velas e flores.

Os túmulos da vovó Valentina e de sua mãe ficavam lado a lado. As lápides estavam limpas e organizadas, sinal de que alguém vinha cuidar com frequência.

Santiago agachou-se e limpou suavemente algumas folhas caídas sobre a pedra:

— Vovó, mãe, trouxe a Aeliana para ver vocês.

Aeliana colocou os crisântemos brancos diante do túmulo da vovó Valentina e, em seguida, depositou o buquê com jasmim diante da lápide da mãe dele, sussurrando:

— Vim ver a senhora.

A brisa soprou, e o aroma do jasmim seco se espalhou sutilmente, como se o tempo voltasse.

Assim, talvez a primeira metade de sua vida não tivesse sido tão amarga.

Santiago olhou para ela, com um olhar profundo:

— Na verdade, agora não é tarde.

Aeliana trocou um olhar com ele, e ambos viram nos olhos um do outro a mesma saudade e calor.

As velas queimavam, e a fumaça subia com o vento, como se levasse a saudade dos vivos para longe.

...

Os dois se revezaram conversando diante das lápides da vovó Valentina e da mãe dele por um tempo.

Quando saíram, já não era cedo.

Aeliana e Santiago tinham acabado de chegar ao portão do cemitério quando deram de cara com um homem de meia-idade vestindo um terno escuro.

Ele segurava um buquê caro de lírios brancos, o cabelo estava penteado impecavelmente, mas as rugas nos cantos dos olhos e o corpo levemente acima do peso já haviam apagado a imagem daquele homem elegante da memória de Aeliana.

E ao lado do homem, havia uma mulher.

A mulher ao seu lado tinha uma maquiagem refinada, vestia-se de forma adequada e usava um anel de diamante brilhante no dedo.

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