A mulher segurava o braço do homem, e a relação entre eles parecia, à primeira vista, nada simples.
Os passos de Santiago pararam bruscamente, seu rosto esfriou instantaneamente, e sua aura tornou-se afiada e agressiva.
Aeliana percebeu a mudança dele com agudeza, e seu olhar parou brevemente no homem.
Embora o homem tivesse mudado muito, Aeliana ainda conseguia ver, naquele rosto agora mais rechonchudo, alguns traços do passado.
Sem contar a atitude de Santiago ao lado.
Aeliana teve certeza de que aquele homem diante deles devia ser o pai de Santiago.
Hélder Laginha.
Parecia que ele tinha vivido bem nesses anos, parecendo muito mais próspero do que na memória de Aeliana.
E a identidade da mulher ao lado dele era ainda mais fácil de adivinhar.
Ela devia ser a jovem esposa com quem Hélder se casou após a morte da mãe de Santiago.
Hélder obviamente também os viu. Ele franziu a testa, seu olhar parou no rosto de Aeliana por um momento, parecendo achar familiar, mas sem reconhecê-la de imediato. Então, voltou-se para Santiago, com seu tom habitual de repreensão.
— O que você faz aqui?
— Nem me avisou antes de vir.
— Quantas vezes eu já te disse para me chamar quando vier visitar sua mãe no Dia de Finados?
— Toda vez você vem escondido sozinho, até parece que eu não sou seu pai!
Se alguém visse, acharia que pai e filho não se davam bem!
Santiago soltou um riso frio, com uma voz gélida e cheia de sarcasmo.
— Essa pergunta quem deveria fazer sou eu!
— Hélder, como você tem coragem de trazer ela para visitar minha mãe?
Santiago não podia impedir Hélder de visitar sua mãe, nem podia dizer nada sobre isso.
Afinal, ele tinha sido marido de sua mãe.
Mas Santiago não esperava que Hélder fosse tão longe.
Trazer aquela mulher para cá.
— Retribui?
Santiago deu um passo à frente, com o olhar cortante como uma faca.
— Eu cresci gastando o dinheiro que minha mãe deixou para mim. O que isso tem a ver com você?
Hélder engasgou.
A mulher ao lado de Hélder, vendo a situação, puxou levemente a manga dele e disse com voz suave:
— Santiago, não fique bravo, você é jovem, não entende...
— Cale a boca! — Santiago olhou bruscamente para ela, com um olhar assustadoramente frio. — Aqui não é lugar para você falar.
A mulher se assustou com o olhar dele, empalideceu e se encolheu atrás de Hélder.
Vendo isso, Hélder ficou ainda mais furioso:
— Que atitude é essa? Ela é mais velha que você, tenha respeito!
— Respeito? — Santiago repuxou o canto da boca em escárnio. — Uma amante que subiu na vida merece meu respeito?

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