Por que ele nunca o tinha visto antes?
Também nunca ouvira Aeliana mencioná-lo.
No meio da noite, um homem e uma mulher solteiros saindo juntos...
O peito de Jocelino apertou violentamente, como se algo o tivesse perfurado com força.
Enquanto Jocelino tentava adivinhar qual era a relação entre os dois...
A moto lá embaixo já roncava, afastando-se do condomínio, com a lanterna traseira traçando um risco vermelho e penetrante na noite.
Jocelino observou as costas dos dois desaparecendo, parado no lugar, com os nós dos dedos brancos de tanto apertar.
A bituca de cigarro ainda acesa em sua mão soltava fios de fumaça, assim como suas emoções turbulentas naquele momento.
Jocelino virou-se bruscamente, pegou o casaco e saiu.
Ele precisava encontrar Aeliana e esclarecer as coisas.
O que estava acontecendo com ela hoje!
E...
Quem era aquele homem?
...
Jocelino encostou-se na parede, batendo os dedos distraidamente no braço cruzado.
O vento noturno era fresco, mas não conseguia dissipar a irritação em seu coração.
Desde quando Aeliana conhecia aquele homem?
Por que ela nunca tinha falado dele?
Para onde eles foram? O que fizeram?
Quanto mais pensava, mais evidente ficava a irritação em seu peito.
Finalmente, o som de um motor veio de longe.
A moto parou lentamente embaixo do prédio. Aeliana desceu, tirou o capacete e o entregou ao homem.
Os dois ficaram sob a luz do poste, conversando em voz baixa, e o homem até estendeu a mão para afagar o cabelo dela.
E Aeliana não se esquivou.
Conhecendo Aeliana há tanto tempo, Jocelino sabia que ela detestava contato físico com outras pessoas.
Portanto, era evidente que a relação de Aeliana com aquele homem não era comum.
O olhar de Jocelino esfriou instantaneamente.
Ele caminhou a passos largos, com a voz grave.
— Aeliana.
Aeliana se virou e, ao vê-lo, ficou visivelmente surpresa.
— ...O que você está fazendo aqui?
Jocelino estava...
Esperando por ela?
O vento noturno soprava levemente, e a luz amarelada do poste alongava a sombra de Jocelino.
— Um amigo meu.
— Amigo?
Jocelino soltou um riso frio.
Ele se aproximou lentamente, a voz baixa.
— Por que eu nunca ouvi você falar dele antes?
— E mais... que tipo de amigo faz você sair para passear de moto no meio da noite?
Aeliana ergueu os olhos para ele e, de repente, achou aquilo ridículo.
Quando ele a questionava, por que não pensava onde ele mesmo estivera naquela tarde?
— É apenas um amigo comum.
Ela não queria explicar, seu tom era frio.
— Estou cansada, quero voltar para descansar.
Ela tentou contorná-lo para ir em direção à porta.
Jocelino segurou o pulso dela. A força não era excessiva, mas impedia que ela se soltasse.
— Aeliana.
— Que atitude é essa?
— Eu só quero ouvir uma explicação sua.

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