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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 603

Por que ele nunca o tinha visto antes?

Também nunca ouvira Aeliana mencioná-lo.

No meio da noite, um homem e uma mulher solteiros saindo juntos...

O peito de Jocelino apertou violentamente, como se algo o tivesse perfurado com força.

Enquanto Jocelino tentava adivinhar qual era a relação entre os dois...

A moto lá embaixo já roncava, afastando-se do condomínio, com a lanterna traseira traçando um risco vermelho e penetrante na noite.

Jocelino observou as costas dos dois desaparecendo, parado no lugar, com os nós dos dedos brancos de tanto apertar.

A bituca de cigarro ainda acesa em sua mão soltava fios de fumaça, assim como suas emoções turbulentas naquele momento.

Jocelino virou-se bruscamente, pegou o casaco e saiu.

Ele precisava encontrar Aeliana e esclarecer as coisas.

O que estava acontecendo com ela hoje!

E...

Quem era aquele homem?

...

Jocelino encostou-se na parede, batendo os dedos distraidamente no braço cruzado.

O vento noturno era fresco, mas não conseguia dissipar a irritação em seu coração.

Desde quando Aeliana conhecia aquele homem?

Por que ela nunca tinha falado dele?

Para onde eles foram? O que fizeram?

Quanto mais pensava, mais evidente ficava a irritação em seu peito.

Finalmente, o som de um motor veio de longe.

A moto parou lentamente embaixo do prédio. Aeliana desceu, tirou o capacete e o entregou ao homem.

Os dois ficaram sob a luz do poste, conversando em voz baixa, e o homem até estendeu a mão para afagar o cabelo dela.

E Aeliana não se esquivou.

Conhecendo Aeliana há tanto tempo, Jocelino sabia que ela detestava contato físico com outras pessoas.

Portanto, era evidente que a relação de Aeliana com aquele homem não era comum.

O olhar de Jocelino esfriou instantaneamente.

Ele caminhou a passos largos, com a voz grave.

— Aeliana.

Aeliana se virou e, ao vê-lo, ficou visivelmente surpresa.

— ...O que você está fazendo aqui?

Jocelino estava...

Esperando por ela?

O vento noturno soprava levemente, e a luz amarelada do poste alongava a sombra de Jocelino.

— Um amigo meu.

— Amigo?

Jocelino soltou um riso frio.

Ele se aproximou lentamente, a voz baixa.

— Por que eu nunca ouvi você falar dele antes?

— E mais... que tipo de amigo faz você sair para passear de moto no meio da noite?

Aeliana ergueu os olhos para ele e, de repente, achou aquilo ridículo.

Quando ele a questionava, por que não pensava onde ele mesmo estivera naquela tarde?

— É apenas um amigo comum.

Ela não queria explicar, seu tom era frio.

— Estou cansada, quero voltar para descansar.

Ela tentou contorná-lo para ir em direção à porta.

Jocelino segurou o pulso dela. A força não era excessiva, mas impedia que ela se soltasse.

— Aeliana.

— Que atitude é essa?

— Eu só quero ouvir uma explicação sua.

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