Desde que ele voltara da empresa hoje, Aeliana não lhe dera um único sorriso.
À noite, mentiu dizendo que ia descansar, mas num piscar de olhos foi flagrada saindo com um homem estranho.
Jocelino achava que já estava sendo calmo o suficiente.
— Explicação?
Aeliana zombou, como se tivesse ouvido uma piada engraçada.
Ela tentou soltar a mão de Jocelino.
Puxou, não conseguiu se soltar, então ergueu a cabeça e o encarou.
— Então vou perguntar mais uma vez.
— Jocelino, onde você foi hoje à tarde?
Jocelino franziu a testa, sem entender por que Aeliana estava perguntando aquilo de novo.
— Eu já disse, fiquei na empresa o tempo todo.
— É mesmo? — Aeliana riu levemente, mas não havia humor em seus olhos.
Veja só, até agora.
Jocelino continuava mentindo para ela.
O vento noturno soprou, dispersando o som da respiração dos dois.
Depois de um tempo, Aeliana massageou a testa, exausta.
— Esquece, não quero brigar com você.
Justo nesse momento, o elevador chegou.
Aeliana se virou para sair, olhando para ele com cansaço antes de ir.
— Vá para casa.
— Eu estou realmente muito cansada hoje. Se tiver algo para falar, falamos outro dia.
Jocelino ficou parado no lugar, vendo-a entrar, a porta fechar, sem dizer mais nada.
Embora na noite anterior Aeliana tivesse dito que estava cansada e falariam depois...
A partir daquela noite, os dois entraram numa guerra fria.
Aeliana, apesar da guerra fria com Jocelino e do humor instável, não chegou ao ponto de se trancar em casa por causa dele. Continuava saindo para pesquisar e atender consultas de forma organizada.
Mas, como moravam no andar de cima e de baixo, era inevitável se encontrarem ao sair e voltar do trabalho.
Embora Aeliana tentasse ao máximo evitá-lo, inevitavelmente acabava esbarrando com Jocelino.
Naquele dia, Aeliana saiu cedo, propositalmente alterando sua rotina para desencontrar a de Jocelino, justamente para não vê-lo.
— Ding.
— Bom dia.
Embora a atitude de Aeliana ontem realmente não tivesse sido boa, e no final ela não tivesse explicado quem era aquele homem...
Ao voltar para casa, Jocelino pensou a noite toda e admitiu que sua atitude inicial também fora errada.
Ele conhecia a personalidade de Aeliana.
Aeliana jamais faria algo para traí-lo.
Ele não deveria ter duvidado dela.
Por isso, Jocelino pensou em fazer as pazes com Aeliana hoje.
No entanto, enquanto Jocelino queria paz, Aeliana não queria papo.
Aeliana fingiu não ouvir o cumprimento de Jocelino, encarando os botões do elevador em silêncio.
Jocelino apertou os lábios e falou novamente.
— Você já tomou café da manhã?
Aeliana permaneceu em silêncio, como se não tivesse ouvido.
Sendo ignorado repetidamente como se fosse ar, a personalidade de Jocelino, que não era de engolir sapos, inevitavelmente gerou uma certa irritação.
Jocelino apertou o copo de café, com os nós dos dedos levemente brancos, decidindo dar uma última chance a Aeliana.

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