O tempo já estava com cara de outono.
A temperatura do vento noturno estava realmente um pouco baixa.
Aeliana saíra com pressa e o casaco que vestia era fino.
Santiago também notou isso.
De qualquer forma, eles já tinham conversado sobre tudo o que havia para conversar, e já estava tarde; era hora de levar Aeliana de volta.
Aeliana assentiu.
— Tudo bem.
No caminho de volta, Aeliana fechou os olhos, deixando o vento frio dissipar a sombra em seu coração.
A moto parou embaixo do prédio. Santiago tirou o capacete e olhou para ela.
— Vou esperar você subir antes de ir embora.
— Lembre-se de descansar cedo.
— Se tiver algum problema, não guarde para si. Se estiver de mau humor, pode me procurar a qualquer hora.
Aeliana sorriu também:
— Combinado.
— Então eu vou subir.
— Da próxima vez, eu pago o jantar.
Santiago assentiu com um sorriso nos olhos.
Aeliana tirou o capacete, devolveu-o a Santiago e se virou para sair.
Mas...
Mal tinha dado alguns passos quando viu uma figura alta parada sob a luz do poste.
Era Jocelino.
Jocelino vestia um sobretudo preto, com as mãos nos bolsos, a expressão fria e o olhar pesado fixo nela.
Aeliana parou abruptamente, e seu coração acelerou de repente.
O primeiro pensamento que surgiu em sua mente foi:
O que Jocelino está fazendo aqui?
...
Voltando o tempo para quatro horas atrás.
Depois que Aeliana saiu com o rosto fechado, Jocelino não conseguiu se concentrar no trabalho.
A atitude estranha de Aeliana desde que chegara ecoava em sua mente.
Nariz alto, olhos penetrantes e uma linha do maxilar afiada como uma lâmina.
Ombros largos e cintura estreita; a jaqueta de couro preta delineava um corpo robusto, e ele exalava uma beleza selvagem.
Jocelino não deu importância, pensando ser o novo namorado de alguma moradora do prédio.
Quando estava prestes a desviar o olhar...
Viu Aeliana, que saíra mais cedo dizendo que ia descansar, saindo do prédio e caminhando diretamente até aquele homem.
Jocelino paralisou, com o olhar fixo nos dois.
O vento noturno levantou os longos cabelos de Aeliana; ela estendeu a mão para colocar uma mecha atrás da orelha, num gesto natural e familiar.
O homem lhe entregou um capacete, ela o pegou e, ao baixar a cabeça para ajustar a fivela, os cantos de seus lábios se ergueram levemente.
Aeliana estava sorrindo.
Sorrindo para aquele homem estranho.
Sendo que, naquela tarde, ela o tratara com total frieza e desdém.
A pupila de Jocelino contraiu-se violentamente, e o cigarro entre seus dedos foi esmagado.
Quem é esse homem?
Qual é a relação dele com Aeliana?

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