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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 602

O tempo já estava com cara de outono.

A temperatura do vento noturno estava realmente um pouco baixa.

Aeliana saíra com pressa e o casaco que vestia era fino.

Santiago também notou isso.

De qualquer forma, eles já tinham conversado sobre tudo o que havia para conversar, e já estava tarde; era hora de levar Aeliana de volta.

Aeliana assentiu.

— Tudo bem.

No caminho de volta, Aeliana fechou os olhos, deixando o vento frio dissipar a sombra em seu coração.

A moto parou embaixo do prédio. Santiago tirou o capacete e olhou para ela.

— Vou esperar você subir antes de ir embora.

— Lembre-se de descansar cedo.

— Se tiver algum problema, não guarde para si. Se estiver de mau humor, pode me procurar a qualquer hora.

Aeliana sorriu também:

— Combinado.

— Então eu vou subir.

— Da próxima vez, eu pago o jantar.

Santiago assentiu com um sorriso nos olhos.

Aeliana tirou o capacete, devolveu-o a Santiago e se virou para sair.

Mas...

Mal tinha dado alguns passos quando viu uma figura alta parada sob a luz do poste.

Era Jocelino.

Jocelino vestia um sobretudo preto, com as mãos nos bolsos, a expressão fria e o olhar pesado fixo nela.

Aeliana parou abruptamente, e seu coração acelerou de repente.

O primeiro pensamento que surgiu em sua mente foi:

O que Jocelino está fazendo aqui?

...

Voltando o tempo para quatro horas atrás.

Depois que Aeliana saiu com o rosto fechado, Jocelino não conseguiu se concentrar no trabalho.

A atitude estranha de Aeliana desde que chegara ecoava em sua mente.

Nariz alto, olhos penetrantes e uma linha do maxilar afiada como uma lâmina.

Ombros largos e cintura estreita; a jaqueta de couro preta delineava um corpo robusto, e ele exalava uma beleza selvagem.

Jocelino não deu importância, pensando ser o novo namorado de alguma moradora do prédio.

Quando estava prestes a desviar o olhar...

Viu Aeliana, que saíra mais cedo dizendo que ia descansar, saindo do prédio e caminhando diretamente até aquele homem.

Jocelino paralisou, com o olhar fixo nos dois.

O vento noturno levantou os longos cabelos de Aeliana; ela estendeu a mão para colocar uma mecha atrás da orelha, num gesto natural e familiar.

O homem lhe entregou um capacete, ela o pegou e, ao baixar a cabeça para ajustar a fivela, os cantos de seus lábios se ergueram levemente.

Aeliana estava sorrindo.

Sorrindo para aquele homem estranho.

Sendo que, naquela tarde, ela o tratara com total frieza e desdém.

A pupila de Jocelino contraiu-se violentamente, e o cigarro entre seus dedos foi esmagado.

Quem é esse homem?

Qual é a relação dele com Aeliana?

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