— Então, pode me contar o que aconteceu hoje.
— Você parece estar preocupada com alguma coisa.
Aeliana olhava para a superfície escura do rio, sem querer admitir que estava assim por causa de Jocelino.
— Não é nada tão exagerado.
— Só estou de mau humor.
— Mentirosa.
Santiago desmascarou Aeliana sem rodeios.
— É óbvio que você estava bem quando veio à delegacia conversar sobre o caso durante o dia.
— Mas, depois de uma noite, você já apareceu abatida, sem energia.
Santiago fez uma pausa, e o olhar que lançou a Aeliana carregava uma preocupação involuntária.
— Então...
— O que realmente aconteceu?
— Às vezes, falar ajuda a aliviar o peso no coração.
Aeliana ficou em silêncio por um momento e, de repente, perguntou:
— Santiago, o que você faria se descobrisse que alguém em quem confia muito... mentiu para você?
Santiago ergueu as sobrancelhas, e seu instinto policial aflorou.
— Quem te enganou?
— Foi alguém conhecido ou um golpe na internet?
— É apenas uma hipótese. — Aeliana respondeu, resignada.
Santiago a encarou por alguns segundos. Vendo que ela não queria falar mais, não insistiu e apenas disse:
— Como policial, temos uma regra: ao investigar um caso, nunca tiramos conclusões apenas porque "achamos" alguém suspeito.
— As pessoas mentem, mas as provas não. Se quiser saber a verdade, precisa procurar as respostas nos mínimos detalhes.
Aeliana virou a cabeça para olhá-lo.
— E se as provas forem irrefutáveis?
Santiago sorriu.
— Então por que hesitar? Aí não tem por que hesitar: junta as provas e faz o procedimento.
Seu tom carregava a frieza característica de um investigador criminal.
— A confiança é algo que, uma vez quebrada, não vale a pena tentar remendar enganando a si mesmo.
No fim das contas, a briga com Jocelino era um assunto entre os dois, e Aeliana não tinha o hábito de expor seus sentimentos a estranhos.
No entanto, após as palavras de Santiago, o humor de Aeliana parecia muito mais leve do que antes.
Aeliana virou-se para Santiago e disse com seriedade:
— Hoje... obrigada por me acompanhar nesse passeio e por me ajudar a clarear as ideias.
Santiago riu levemente:
— Então, você paga o jantar na próxima.
Ele não tinha levado aquilo tão a sério, afinal, fora ele quem a convidara para sair inicialmente.
Só não esperava que fosse uma coincidência tão grande encontrar Aeliana justamente quando ela estava de mau humor.
Ele acabou servindo temporariamente como um conselheiro sentimental.
A noite avançava, e uma rajada de vento frio fez Aeliana se arrepiar involuntariamente.
Santiago percebeu e, instintivamente, ajeitou o casaco dela.
— Está com frio, né?
— Vou te levar para casa agora.

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