Sua mente não parava de repassar as várias atitudes estranhas de Jocelino ultimamente.
Lembrou-se de que Jocelino evitava atender o telefone perto dela.
Talvez devesse ter sido a partir daquele momento que Jocelino começou a deixar pistas.
E pensar que ela, na época, acreditou que a empresa dele estava com problemas e até se preocupou; agora parecia que tudo não passou de excesso de zelo da parte dela.
Agora, pensando bem, era ridículo.
Jocelino não estava com medo de que ela se preocupasse.
Ele estava com medo de que ela soubesse.
O peito parecia estar sendo apertado por uma mão invisível, sufocando-a a ponto de quase não conseguir respirar.
Três e cinco da manhã.
A tela do celular acendeu na escuridão e uma mensagem de Santiago apareceu.
— Aeliana, você está dormindo?
— Ainda não.
— Sem sono.
Ao receber a mensagem, Santiago ficou um pouco surpreso; na verdade, ele não tinha muita esperança de conseguir convidá-la para sair ao enviar aquilo.
Afinal, Aeliana parecia ser o tipo de mulher com hábitos de vida muito saudáveis e regrados.
Ele achava que, àquela hora, Aeliana já estaria dormindo.
Mas já que ela não estava, Santiago revelou sua intenção original.
— Se não consegue dormir.
— Quer que eu vá te buscar para dar uma volta?
Aeliana pensou por um momento.
Ela pretendia recusar.
Porque realmente não estava com ânimo para isso agora.
O que aconteceu com Jocelino hoje a deixou mentalmente exausta; ela só queria ficar quieta em casa, sem vontade de se mover.
Mas...
O quarto estava silencioso demais.
Ficar sozinha a faria pensar demais.
Aeliana nunca imaginou que um dia sofreria tanto com esse desgaste interno.
Após hesitar, Aeliana decidiu aceitar o convite de Santiago.
Mas logo entendeu.
Aeliana estava rindo dele.
No entanto, ver que Aeliana finalmente sorriu fez Santiago suspirar de alívio.
Afinal, o estado depressivo dela ao descer indicava que algo estava errado.
Encostado na grade, Santiago virou a cabeça para olhar Aeliana e perguntou de forma sondadora:
— E então? Depois dessa volta, está se sentindo um pouco melhor?
Aeliana estancou; não imaginava que suas emoções estivessem tão evidentes.
Ela achava que tinha disfarçado bem.
Mas depois de dar uma volta à noite, seu humor realmente não estava tão deprimido quanto antes.
Aeliana assentiu.
— Muito melhor.
— Obrigada.
Se não fosse por Santiago, ela provavelmente passaria a noite inteira sem dormir, repassando tudo no quarto.

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