Passos soaram do lado de fora; era o empregado trazendo a refeição como de costume.
— Senhorita, o almoço está na porta.
A voz do empregado veio através da madeira, carregando o habitual tom de respeito e distanciamento.
Gabriela sentia irritação só de ouvir aquele som.
Mas ela se conteve em silêncio até que os passos se afastassem.
Só então ela se levantou bruscamente, pegou um copo de vidro da mesa e o atirou com força contra a parede.
— Pá!
Fragmentos de vidro voaram para todos os lados, e a água se espalhou pelo chão.
Bernardo chegou muito rápido.
Assim que Gabriela jogou o copo.
Passos apressados soaram no corredor, seguidos pela voz grave e severa de Bernardo.
— Gabriela, que loucura é essa agora?
Gabriela riu com frieza.
— Eu enlouquecer?
— Bernardo, você esqueceu que sou humana, não sua prisioneira?
— Se continuar me trancando assim, mesmo que eu não esteja louca, você vai me enlouquecer!
Bernardo empurrou a porta, passou o olhar pela bagunça no chão e franziu a testa.
— Limpem isso aqui.
— Da próxima vez, não tragam objetos perigosos para a senhorita! Se eu souber que fizeram isso, não trabalharão mais na família Florêncio!
Atrás dele, o empregado assentiu tremendo de medo e correu para buscar uma vassoura.
Gabriela permaneceu parada, observando friamente enquanto a bagunça era limpa.
Seu peito subia e descia violentamente.
Com os olhos vermelhos, Gabriela encarou Bernardo com frieza.
— Bernardo, vou perguntar pela última vez!
— Até quando você vai me manter presa?
Bernardo manteve a expressão impassível.
— Até você criar juízo.
Se a cabeça de Gabriela não estivesse no lugar, deixá-la sair só traria problemas para a família.
Gabriela elevou a voz bruscamente.
— Amália nunca fez essas coisas que você diz. São vocês que insistem em acreditar em calúnias de estranhos em vez de acreditar em mim!
Um traço de impaciência cruzou os olhos de Bernardo.
Dessa vez, ele estava tão irritado que não virou as costas e saiu.
Em vez disso, ele começou a listar logicamente a série de crimes de Amália.
— Pense bem. Todas as vezes que você tomou a frente para causar confusão, não foi sob provocação da Amália?
— Mas a pessoa que você atacava, você realmente tinha algum problema com ela?
— E antes, quando ela usou você para lidar com a Aeliana, você esqueceu?
Uma memória curta e seletiva.
Gabriela engasgou, mas logo ergueu o queixo novamente.
— Aquilo foi um mal-entendido! A Amália já me explicou!
— E se ela realmente estivesse me usando, como teria coragem de vir até nossa casa me procurar?
— Da última vez, você xingou a Amália de forma horrível, e ela não ficou brava. Antes de ir embora, ela ainda pensou no meu bem.
— Não acredito que ela seja tão insensível quanto vocês dizem.

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