Bernardo soltou uma risada sarcástica.
— Gabriela, quantos anos você tem? Ainda é tão fácil de enganar?
— Não quero mais gastar saliva com bobagens.
— Já que você ainda não acordou, vai ficar trancada mais alguns dias.
Gabriela tremeu de raiva e lembrou-se do objetivo principal de ter quebrado o copo.
Ela revelou um caco de vidro que estava segurando na mão sem que ninguém percebesse.
— Bernardo, se você não me deixar sair hoje, eu me mato na sua frente!
O olhar de Bernardo escureceu. Ele avançou para segurar o pulso dela, mas Gabriela esquivou-se a tempo.
Em sua agitação emocional, Gabriela não percebeu que o caco de vidro em sua mão arranhou seu pescoço, e sangue começou a escorrer lentamente.
Bernardo se assustou com o sangue no pescoço de Gabriela e entrou em pânico.
— Já chega desse escândalo!
— Não pode conversar civilizadamente? Por que sempre recorre a esses métodos?
Gabriela também não esperava se machucar. Ela só pegou o caco para assustar Bernardo; não tinha coragem de se ferir de verdade.
A dor se espalhou pelo pescoço, e a mágoa misturada com a raiva fez as lágrimas de Gabriela jorrarem.
Sua postura agressiva de antes desapareceu.
— Bernardo... Eu fico trancada em casa o dia todo, não posso ir a lugar nenhum, nem celular eu tenho... Estou enlouquecendo de verdade!
— Se você continuar me mantendo presa assim, prefiro morrer de uma vez!
A voz de Gabriela estava carregada de um choro desesperado.
Vendo-a naquele estado de colapso, Bernardo sentiu o coração amolecer.
O vidro afiado e frio ainda estava nas mãos de Gabriela.
Bernardo ouvia o choro dela com o coração na mão, temendo que ela, sem querer, enfiasse o caco mais fundo no pescoço.
No entanto, o corte acidental doeu, e Gabriela estava instintivamente mantendo o caco longe da própria pele.
Bernardo a observou por alguns segundos e, vendo que o perigo imediato passara, suspirou aliviado discretamente.
— Você está proibida de contatar a Amália. Sua área de circulação é apenas dentro de casa, não pode sair. E deve comer e dormir nos horários certos.
— Se eu descobrir que você está me desobedecendo pelas costas, arque com as consequências.
Gabriela ainda não estava satisfeita.
Mas essas condições eram muito melhores do que ficar mofando no quarto sem fazer nada.
Após hesitar por um momento, Gabriela percebeu que Bernardo não aceitaria mais negociações, então cedeu a contragosto.
— Eu prometo!
Bernardo bufou friamente e saiu.
Pouco depois, um empregado trouxe o celular de Gabriela.
Ela o ligou ansiosamente, mas descobriu que todos os aplicativos de redes sociais estavam monitorados e que o número de Amália havia sido apagado da agenda.
Gabriela teve vontade de quebrar tudo de novo, mas lembrando do aviso de Bernardo, se conteve.
Afinal, ela tinha acabado de recuperar o celular, e a atitude dura de Bernardo havia deixado um trauma nela.

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