Gustavo fez uma pausa, raramente controlando seu temperamento diante de uma sugestão do filho.
Ao contrário, ele deu um tapinha consolador no ombro de Rodrigo e disse com seriedade:
— Rodrigo, nesta casa, a pessoa em quem eu mais confio e valorizo é você.
— Felipe e Henrique não são confiáveis, a família Oliveira só pode contar com você.
— Vou deixar o assunto da família Costa sob sua responsabilidade. Fique de olho.
— Se houver qualquer situação anormal, me relate imediatamente.
Embora Gustavo, no fundo, não achasse que Gervásio tramaria algo contra ele.
No entanto, pelo menos ele havia conseguido um trunfo contra a família Costa.
Isso aliviava um pouco sua consciência pesada.
Rodrigo também não esperava resolver tudo de uma vez; o importante era que, após esse incidente, Gustavo não confiasse mais cegamente em Gervásio como antes, a ponto de não ter nenhuma defesa.
Rodrigo e Gustavo conversaram mais um pouco sobre outros assuntos da empresa.
A noite passou tranquilamente.
Desde que Amália engravidou, seu tratamento na família Oliveira melhorou drasticamente.
Talvez assustada pela cena anterior de Amália sangrando, Daniela preparava sopas nutritivas diferentes todos os dias para ela.
Gustavo também voltou a assumir a postura de pai amoroso que tinha antes do casamento de Amália, tratando-a diariamente com gentileza e carinho.
Até os empregados da família Oliveira agiam com cautela, com medo de esbarrar ou machucar a "preciosa" jovem senhora.
Em poucos dias, o rosto de Amália recuperou a cor. A vitalidade perdida foi restaurada, e suas bochechas, antes magras devido à hospitalização, começaram a preencher-se novamente, dando-lhe uma aparência muito mais saudável.
Naquela tarde, Amália estava recostada preguiçosamente na espreguiçadeira da varanda, tomando sol.
Talvez porque a vida estivesse mais confortável, ela se lembrou de alguém que havia esquecido há muito tempo.
Gabriela Florêncio.
Desde a última vez que foi à casa da família Florêncio e foi expulsa, fugindo em desespero, as duas não haviam mais se falado.
Será que ela ainda estava sendo mantida presa por Bernardo Florêncio?
As cenas dos insultos e da humilhação que sofreu nas mãos de Bernardo e Cláudia ainda estavam frescas em sua memória.
Amália acabara de passar por uma ameaça de aborto, então era impossível se arriscar indo pessoalmente à família Florêncio novamente.
Ela estreitou os olhos.
Amália pegou o celular, hesitou por um momento e discou o número de Gabriela.
Para sua surpresa, a chamada foi atendida.
O tempo volta para uma semana atrás.
Desde que Amália fora expulsa por Bernardo e Cláudia, Gabriela tentou ir atrás dela, ameaçando pular da varanda.
O resultado foi que Bernardo a impediu.
Desde então, a vigilância de Bernardo sobre Gabriela tornou-se ainda mais rigorosa.
A porta tinha agora o dobro de seguranças.
Gabriela não conseguia nem pensar em fugir.
Qualquer movimento mínimo era reportado.
Sem celular e presa naquele ambiente dia após dia.
Ela estava à beira de um colapso, se é que não enlouqueceria.
Finalmente, chegou um dia.
Gabriela não aguentou mais e explodiu.
Naquele dia.
Gabriela estava sentada à beira da cama, os dedos apertando o lençol com força, os olhos fixos na porta fechada.

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