Jocelino estreitou os olhos.
De repente, inclinou-se e mordeu levemente o lábio de Aeliana, como uma vingança.
— Se rir de mim de novo, você não vai ter sossego hoje à noite.
Aeliana sentiu as orelhas esquentarem e o empurrou apressadamente.
— ...Seu sem-vergonha.
Mas, como se tentasse disfarçar algo, Aeliana usou o álbum de fotos em suas mãos como um escudo.
— Eu ainda não terminei de ver as fotos, nem encosta em mim!
Jocelino riu baixinho, abraçou-a com mais força e continuou a folhear as fotos com ela.
Aeliana viu que Jocelino a havia poupado.
Ela suspirou aliviada e continuou a olhar as fotos de infância de Jocelino com grande interesse.
O álbum já estava na metade quando o dedo de Aeliana parou de repente em uma página específica.
— Isto é...
Jocelino franziu a testa, alerta:
— O que foi?
Aeliana apontou para a foto, segurando o riso.
— É você?
Quem diria que Jocelino teve um momento desses?
Na foto, um menino de cerca de sete ou oito anos vestia um tutu de balé rosa e uma tiara de cisne, parado no centro do palco com uma expressão de pura derrota.
A expressão de Jocelino mudou drasticamente e ele estendeu a mão para pegar o álbum.
— Essa não conta.
Ele se lembrava de que essa foto não estava no álbum antes.
Com certeza a Sra. Heloisa Porto a colocou ali escondida sem que ele soubesse.
Aeliana esquivou-se com agilidade, rindo tanto que lágrimas quase saíam de seus olhos.
Era raro ver uma foto do mico do Jocelino, ela precisava guardar aquilo muito bem.
— Você até dançou "O Lago dos Cisnes" quando era criança?
— Isso foi minha mãe que me obrigou.
As orelhas de Jocelino ficaram vermelhas.
Ele não sabia se Heloisa havia colocado outras fotos comprometedoras nas páginas seguintes.
Jocelino tomou uma decisão rápida, fechou o álbum e pressionou Aeliana contra o sofá.
— Ainda não viu o suficiente?
Aeliana continuava rindo.
E depois...
Quando foi para a prisão, lá dentro não existiam essas condições.
Às vezes, Aeliana até esquecia quando era seu próprio aniversário.
— Eu não gosto de comemorar aniversários.
— Naquele dia, só vamos comer algo simples.
Jocelino franziu a testa:
— De jeito nenhum.
Aeliana levantou a cabeça para olhá-lo:
— Hum?
Jocelino apertou a ponta dos dedos dela, com um tom que não aceitava objeções.
— Este é o seu primeiro aniversário desde que começamos a namorar, temos que comemorar direito.
Aeliana ficou sem reação; pelo jeito de Jocelino, ele já devia ter algo preparado.
Então por que ele se deu ao trabalho de perguntar?
Apesar da impotência, o coração de Aeliana se comoveu e ela não pôde deixar de perguntar:
— ...O que você planeja fazer?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Despertar Depois dos 1460 dias