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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 570

Jocelino baixou os olhos para a foto e assentiu com uma expressão tranquila.

— Sim.

Sua voz soou neutra, sem demonstrar emoção, mas Aeliana percebeu com agudeza que a atmosfera ao redor dele pesou ligeiramente.

— Meu pai faleceu cedo. Eu era muito pequeno quando ele morreu, então não tenho muitas lembranças.

— Só me lembro que ele estava sempre muito ocupado, raramente voltava para casa.

Era muito parecido com o estado em que ele mesmo vivia antes de conhecer Aeliana.

O coração de Aeliana apertou, e ela olhou instintivamente para o homem de aparência severa na foto.

Então era isso.

Faz sentido.

Aeliana sempre teve curiosidade de saber como uma senhora tão elegante e mente aberta como Heloisa havia criado um filho tão reservado quanto Jocelino.

A raiz estava no pai dele.

Aeliana acariciou a foto levemente, com um toque de compaixão por Jocelino no olhar.

— Você e seu pai... são muito parecidos.

— Se seu pai pudesse ver o homem que você se tornou, com certeza estaria muito orgulhoso.

Jocelino repuxou o canto da boca, e um brilho complexo passou por seus olhos ao encarar Aeliana.

— Espero que sim.

Aeliana, focada nas fotos, não notou a mudança nele.

Continuou folheando o álbum.

Depois das fotos com os pais, vinham as fotos de infância de Jocelino.

Mas a maioria era mais do mesmo.

O garotinho nas fotos estava sempre com a cara fechada, encarando a lente com seriedade e olhos negros, agindo como um pequeno adulto.

Aquela expressão, incompatível com a idade, ficava incrivelmente engraçada no rosto de um bebê.

Aeliana não conseguiu segurar o riso.

— Por que você sempre foi tão sério desde pequeno?

Jocelino ergueu uma sobrancelha.

— Isso se chama serenidade.

Aeliana segurou o riso e continuou a folhear.

Nas fotos, Jocelino ia crescendo, mas a expressão quase não mudava.

Na formatura do jardim de infância, enquanto todas as outras crianças riam, apenas Jocelino estava num canto com cara de indiferença, como se estivesse sendo obrigado a estar ali.

Nos jogos escolares.

Aquela expressão de Aeliana claramente não queria dizer isso.

Jocelino soltou um leve bufo, mas não a desmascarou.

Apenas estendeu a mão e apertou a bochecha de Aeliana.

— Você está ficando corajosa, hein? Já se atreve a tirar sarro de mim?

Aeliana tentou se esquivar rindo, mas ele a puxou para seus braços de uma vez.

Jocelino olhou para ela de cima, com a voz grave.

— Ainda está rindo?

— Vai dizer que não estava me criticando mentalmente agora há pouco?

— Tenho cara de quem é fácil de enganar?

Aeliana piscou, fingindo inocência.

— Eu acho que não disse nada de errado.

— Sr. Barreto, você era um principezinho arrogante quando criança.

— O quê? A arrogância do principezinho atacou de novo?

— Não posso nem falar?

Aquele jeito raramente pretensioso e provocador de Aeliana fez Jocelino achar a situação irritante e adorável ao mesmo tempo.

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