Jocelino baixou os olhos para a foto e assentiu com uma expressão tranquila.
— Sim.
Sua voz soou neutra, sem demonstrar emoção, mas Aeliana percebeu com agudeza que a atmosfera ao redor dele pesou ligeiramente.
— Meu pai faleceu cedo. Eu era muito pequeno quando ele morreu, então não tenho muitas lembranças.
— Só me lembro que ele estava sempre muito ocupado, raramente voltava para casa.
Era muito parecido com o estado em que ele mesmo vivia antes de conhecer Aeliana.
O coração de Aeliana apertou, e ela olhou instintivamente para o homem de aparência severa na foto.
Então era isso.
Faz sentido.
Aeliana sempre teve curiosidade de saber como uma senhora tão elegante e mente aberta como Heloisa havia criado um filho tão reservado quanto Jocelino.
A raiz estava no pai dele.
Aeliana acariciou a foto levemente, com um toque de compaixão por Jocelino no olhar.
— Você e seu pai... são muito parecidos.
— Se seu pai pudesse ver o homem que você se tornou, com certeza estaria muito orgulhoso.
Jocelino repuxou o canto da boca, e um brilho complexo passou por seus olhos ao encarar Aeliana.
— Espero que sim.
Aeliana, focada nas fotos, não notou a mudança nele.
Continuou folheando o álbum.
Depois das fotos com os pais, vinham as fotos de infância de Jocelino.
Mas a maioria era mais do mesmo.
O garotinho nas fotos estava sempre com a cara fechada, encarando a lente com seriedade e olhos negros, agindo como um pequeno adulto.
Aquela expressão, incompatível com a idade, ficava incrivelmente engraçada no rosto de um bebê.
Aeliana não conseguiu segurar o riso.
— Por que você sempre foi tão sério desde pequeno?
Jocelino ergueu uma sobrancelha.
— Isso se chama serenidade.
Aeliana segurou o riso e continuou a folhear.
Nas fotos, Jocelino ia crescendo, mas a expressão quase não mudava.
Na formatura do jardim de infância, enquanto todas as outras crianças riam, apenas Jocelino estava num canto com cara de indiferença, como se estivesse sendo obrigado a estar ali.
Nos jogos escolares.
Aquela expressão de Aeliana claramente não queria dizer isso.
Jocelino soltou um leve bufo, mas não a desmascarou.
Apenas estendeu a mão e apertou a bochecha de Aeliana.
— Você está ficando corajosa, hein? Já se atreve a tirar sarro de mim?
Aeliana tentou se esquivar rindo, mas ele a puxou para seus braços de uma vez.
Jocelino olhou para ela de cima, com a voz grave.
— Ainda está rindo?
— Vai dizer que não estava me criticando mentalmente agora há pouco?
— Tenho cara de quem é fácil de enganar?
Aeliana piscou, fingindo inocência.
— Eu acho que não disse nada de errado.
— Sr. Barreto, você era um principezinho arrogante quando criança.
— O quê? A arrogância do principezinho atacou de novo?
— Não posso nem falar?
Aquele jeito raramente pretensioso e provocador de Aeliana fez Jocelino achar a situação irritante e adorável ao mesmo tempo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Despertar Depois dos 1460 dias