As orelhas de Aeliana esquentaram e ela lançou um olhar fulminante para ele.
Jocelino não entendeu o motivo.
Mas quem era ele? O grande chefe do Grupo Barreto.
Não precisou que Aeliana explicasse; Jocelino logo percebeu que suas palavras haviam sido interpretadas com malícia por ela.
...
À mesa, o clima era acolhedor.
Não se sabe quem puxou o assunto primeiro.
A conversa, que girava em torno da saúde de Aeliana, inexplicavelmente mudou para expor os momentos constrangedores de Jocelino.
Eduardo foi o primeiro a se animar.
Começou a contar com entusiasmo as trapalhadas da infância de Jocelino.
Heloisa complementava aqui e ali, fazendo Aeliana segurar o riso.
— O Jocelino tem essa personalidade teimosa desde pequeno. Uma vez, o pai dele disse que ele tinha ido mal em matemática e o colocou de castigo virado para a parede.
— Na verdade, a intenção do pai era só que ele cedesse um pouco, mas o garoto ficou a noite inteira em pé e não soltou um pio de desculpa!
Deixou o pai de Jocelino, um homem que raramente sorria, furioso.
Ao relembrar o passado, um sorriso nostálgico surgiu involuntariamente nos olhos de Eduardo.
Heloisa também entrou na conversa, rindo.
— É verdade, a teimosia do Jocelino é lendária.
— Uma vez, ele acabou caindo e deslocou o braço para provar que conseguia subir na velha acácia do quintal. Suava frio de dor, mas se recusava terminantemente a chorar.
— Não sei a quem ele puxou esse gênio! Parece uma mula empacada.
Aeliana virou-se para Jocelino, com um brilho de provocação no olhar.
— Não imaginava que você fosse tão competitivo desde criança.
Sendo alvo das piadas, Jocelino permaneceu impassível e calmamente colocou um pedaço de peixe no prato de Aeliana.
— Coma.
Aeliana riu disfarçadamente e obedeceu, baixando a cabeça para comer.
Perguntou ele.
Os olhos de Aeliana brilharam e ela se aproximou imediatamente.
— Claro!
Jocelino sorriu levemente, guiou-a até o sofá e abriu o álbum.
A primeira foto era um retrato da família de Jocelino, apenas os três.
Na imagem, o jovem pai de Jocelino vestia um terno impecável, com um rosto sério e uma aura de autoridade natural.
Ao lado dele estava a elegante e gentil Heloisa, segurando no colo um garotinho de cerca de dois ou três anos.
Era o pequeno Jocelino.
O mini Jocelino usava um terninho requintado e mantinha a cara fechada, olhando fixamente para a câmera com seus olhos negros, numa postura de "não se aproxime", uma cópia fiel e reduzida do pai.
Aeliana parou por um instante, apontando para o homem desconhecido na foto que tinha oito décimos de semelhança com Jocelino, e perguntou em voz baixa.
— Esse é... seu pai?

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