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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 568

Aeliana devolveu um sorriso que parecia ter ficado perdido no tempo.

— Nem eu.

Santiago era um dos poucos amigos de infância de Aeliana, e dona Valentina tinha sido muito boa com ela. Rever alguém daquele período mexia com lembranças que ela quase nunca tocava.

Depois das saudações, veio o que precisava ser feito.

Ali mesmo na calçada, Santiago anotou as informações do ocorrido, guardou o bloco e voltou a encarar Aeliana. O sol do fim de tarde recortava a silhueta dela, esguia, mas firme.

Ele não pôde deixar de pensar que Aeliana tinha mudado e, ao mesmo tempo, não.

Quando criança, ela parecia pequena e frágil, mas carregava feixes de lenha maiores do que ela sem reclamar.

— Você mora por aqui agora? — perguntou.

Aeliana assentiu.

— Moro nessa região já tem um tempo.

Santiago tirou um cartão do bolso e estendeu a ela.

— Eu trabalho na Polícia Civil, na área de homicídios. Se precisar de alguma coisa, me procura.

Aeliana pegou o cartão. A ponta dos dedos roçou de leve a palma da mão dele, quente.

Ela baixou os olhos e leu.

"Santiago Laginha — Delegado adjunto / Divisão de Homicídios."

Aeliana ergueu as sobrancelhas.

— Você foi longe, hein?

Santiago riu baixo:

— É o meu trabalho.

Perto da viatura, alguém o chamou com urgência. Ele olhou para trás, relutante.

— Preciso voltar pra ocorrência.

Ele deu um último olhar para Aeliana, como se ainda tivesse muita coisa para perguntar, mas engoliu as palavras.

— A gente se fala.

Aeliana assentiu.

— Se cuida.

Santiago hesitou por um segundo, mas falou.

— Qualquer dia... vamos jantar?

Aeliana sorriu.

Heloisa também sorriu com ternura.

— Você ficou tanto tempo deitada naquele hospital. Agora que saiu, precisa se recuperar bem.

Aeliana sentiu-se um pouco impotente, mas uma onda de calor invadiu seu coração.

A impotência vinha do fato de que aquele era o terceiro banquete que comia desde que saíra do hospital.

Primeiro foi a comida feita pelo próprio Jocelino, depois o encontro com o grupo de amigas da Aline, e agora mais essa refeição...

Ela não resistiu e sussurrou para Jocelino, que estava ao seu lado.

— Se eu continuar comendo assim, vou engordar uns dois quilos.

Jocelino riu baixo e apertou suavemente a palma da mão dela.

— Não tem problema, é bom engordar um pouco.

— Fica mais confortável de abraçar.

O peso de Aeliana ainda estava abaixo do ideal; em alguns lugares, ao tocá-la, sentia-se os ossos.

Quem fala não tem maldade, mas quem ouve, interpreta.

Jocelino disse aquilo sem segundas intenções, mas como a imagem dele andava meio indecente na mente de Aeliana ultimamente, ela naturalmente entendeu errado.

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