Aeliana tinha compromisso e não pretendia ir com a ambulância. Um registro rápido não levaria tanto tempo.
Ela estava prestes a acompanhar o policial quando ouviu, atrás de si:
— Aeliana?
A voz era grave, familiar… mas carregava uma dúvida, como se quem falava não tivesse certeza.
Aeliana se virou e encontrou um homem de uniforme, alto, de postura reta, com um olhar negro e atento.
Ela hesitou:
— Você é…
Os lábios dele se curvaram, de leve.
— Sou eu.
— Santiago Laginha.
"Santiago" fez as memórias dela voltarem de uma vez, como uma maré.
Era do tempo em que ela ainda vivia no interior, antes de ser reconhecida pela família Oliveira. Na casa vizinha ao casarão antigo, havia um garoto alto que aparecia nas férias para visitar a avó.
Aeliana finalmente associou o rosto.
— Chefe, quem é ela…?
Santiago olhou para ele.
— Uma velha amiga. Eu cuido do registro. Volta pro serviço.
O policial assentiu e se afastou.
Santiago voltou-se para Aeliana, num tom mais leve:
— Eu não esperava te encontrar por aqui.

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