Aeliana não hesitou. Agachou-se ao lado do idoso e verificou a carótida.
O pulso estava fraco, irregular.
Ela abriu as pálpebras dele com cuidado e avaliou rapidamente a resposta. Em seguida, afrouxou o colarinho do homem e posicionou as mãos no centro do tórax.
Sem perder tempo, iniciou a reanimação cardiopulmonar.
— Um, dois, três, quatro…
Ela contava em voz alta, mantendo o ritmo e a pressão com precisão, como alguém que já tinha feito aquilo inúmeras vezes.
A sequência de movimentos deixou os curiosos em choque.
— Ela é médica? — alguém sussurrou. — Olha a técnica dela.
— Deve ser… ela não está nem tremendo.
— Gente, ela sabe muito!
O sol destacava o perfil concentrado de Aeliana. RCP é exaustivo; em poucos minutos, gotículas de suor já brilhavam na testa dela, mas o olhar permanecia calmo, firme, sem sinal de pânico.
Até que, de repente…
— Cof…!
O idoso inspirou com força. As pálpebras tremeram.
— Ele voltou! — gritaram. — Ele voltou!
Um alívio coletivo explodiu em volta.
Porém, Aeliana não relaxou. Segurou a cabeça do homem para manter a via aérea aberta e checou o pulso de novo.
— Não se mexa. Fique assim até a ambulância chegar.
— Incompetente? Olha isso! Quem fala uma coisa dessas não entende nada.
Aeliana ignorou os comentários, concentrada no paciente, até ouvir a sirene se aproximando.
A equipe do SAMU assumiu o atendimento e colocou o idoso na maca.
Só então Aeliana se afastou, limpando o suor da testa com as costas da mão. A manga da blusa estava um pouco arregaçada, e uma cicatriz fina no pulso aparecia e sumia sob a luz.
— Senhorita, por favor, só um instante.
Um policial se aproximou, respeitoso. Ele tinha visto todo o socorro.
— A senhora vai acompanhar o senhor na ambulância?
— Se não for, por precaução, a gente precisa fazer um registro rapidinho aqui.

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