— Por que sua mão está tão gelada?
Ela franziu a testa, puxou a mão dele e a envolveu entre as palmas.
— Por que você não usou água quente?
Jocelino baixou os olhos para o gesto; os lábios se curvaram.
— Esqueci.
Aeliana levantou o rosto e o fulminou:
— E se as mãos preciosas do Sr. Barreto ficarem ressecadas e rachadas?
— Eu não vou arcar com essa responsabilidade.
Jocelino riu baixo e, de repente, se inclinou, prendendo-a no sofá.
— Então as mãos preciosas do Sr. Barreto só querem tocar em você agora.
— E aí… o que a gente faz?
Aeliana sentiu as orelhas queimarem e o empurrou.
— Para com isso… eu ainda não estou cem por cento.
Jocelino manteve-se sobre ela, o olhar escurecendo.
— Eu sei.
Ele beijou os lábios dela com cuidado.
— Só um beijo.
Aeliana fechou os olhos e correspondeu.
...
A luz do luar entrava pelas cortinas, iluminando os dois abraçados na cama.
Aeliana se aconchegou contra ele, ouvindo as batidas constantes do seu coração, e de repente sussurrou:
— Jocelino.
— Hum?
— Obrigada.
Jocelino a abraçou mais forte e deu um beijo no topo da cabeça dela.
— Durma, estou aqui.
Aeliana fechou os olhos, com um leve sorriso nos lábios.
Já tarde da noite, Aeliana voltou do apartamento de Jocelino para casa.
A luz da lua atravessava a cortina fina, espalhando um brilho prateado no chão. Ela recostou-se na cabeceira e viu o celular vibrar: uma chamada de "Wallace".
Atendeu, surpresa, baixando o tom:
— Sr. Wallace?
Do outro lado, a voz dele veio rouca e grave:
— Ouvi dizer que você sofreu um acidente recentemente?
O tom dele era firme.
— Eu conheço aquele lugar melhor do que você. Se der errado, eu consigo te tirar de lá.
Aeliana franziu a testa.
— Sr. Wallace…
— Aeliana.
Wallace a interrompeu; a voz, raramente, estava suave.
— A Flávia também era minha família. Tem coisas que eu preciso investigar pessoalmente.
Um silêncio curto caiu entre os dois.
No fim, Aeliana suspirou:
— Tudo bem… mas o senhor promete que vai seguir o que eu mandar.
Wallace soltou uma risada baixa.
— Combinado. Faço do seu jeito.
— Então… a gente vai em um mês?
— Sim. — Aeliana olhou o calendário. — Eu vou organizar tudo nesse período. Quando estiver pronto, eu aviso.
— Ótimo. Vou cuidar da minha parte aqui também.
Depois de desligar, Aeliana ficou imóvel por um tempo, segurando o celular.

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