No hospital, Aeliana estava praticamente recuperada. O médico liberou a alta e recomendou repouso em casa.
Jocelino cuidou da papelada.
Aeliana parou nos degraus da entrada, semicerrou os olhos e sentiu o calor do sol no rosto. Durante a internação, quase tinha esquecido como era bom respirar ar de verdade.
De tanto ficar deitada, o corpo inteiro ainda doía.
Passos firmes soaram atrás dela. Jocelino parou ao seu lado, pegou naturalmente a bolsa de viagem da mão dela e, com a outra, envolveu seus ombros com cuidado.
— Cuidado com o degrau.
Aeliana virou o rosto e sorriu de leve.
— Eu não sou tão frágil assim.
Jocelino arqueou a sobrancelha.
— O médico disse que você precisa de repouso por pelo menos mais uma semana.
Aeliana não discutiu. Deixou que ele a ajudasse a entrar no carro.
…
Ao chegarem ao Solar da Montanha, Jocelino não a levou direto para a casa dela. Em vez disso, conduziu-a ao apartamento dele.
Aeliana achou estranho. Mas, quando entrou, travou.
A mesa estava posta com pratos caprichados. No centro, um buquê de mosquitinho (gipsofila) branco — as flores favoritas dela.
Ela se virou para Jocelino.
— Foi você que fez isso?
Não era à toa que ele insistia tanto para ela não voltar para casa.
Ele tinha preparado uma surpresa.
Jocelino tirou o paletó, casual:
— Fiz umas coisas simples. Pra celebrar sua alta e espantar a má sorte.
Aeliana se aproximou. Observou os pratos: peixe assado, camarão com legumes, e uma canja quente.
O coração dela aqueceu.
— Obrigada.
Depois do jantar, Jocelino recolheu a louça.
Aeliana tentou ajudar, mas ele a empurrou de volta para o sofá.
— Fica sentada. Não se mexe.
Aeliana suspirou.
— Eu estou bem, de verdade.
Ele já tinha cozinhado; não parecia certo ele ainda lavar a louça.
Jocelino lançou um olhar de aviso.
— Se reclamar mais, eu te carrego pra cama.
Aeliana se calou.
Por fim, ele saiu da cozinha com um copo de leite quente. Era claramente para ela.
Aeliana pegou o copo. Os dedos roçaram na mão dele, e ela sentiu um arrepio.

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