Camila andou sem rumo pelas ruas, com o coração pesado. A família Costa estava um caos; o escândalo entre Marcelo e Amália tinha virado a casa do avesso.
Gervásio só pensava em lucros e estratégias. Presa no meio de tudo, Camila se sentia sufocada.
Enquanto caminhava, ergueu a cabeça e percebeu onde estava. Sem querer, tinha parado diante do condomínio de Aeliana.
Era lá que Beatriz morava agora.
Camila já tinha mandado investigar antes, mas nunca teve coragem de aparecer. Parada no portão, hesitou: entrava ou não?
Tinha medo de que Beatriz ainda guardasse rancor.
Nesse instante, uma figura familiar saiu do condomínio. Era Beatriz, carregando um saco de lixo, de camiseta simples e jeans, com o cabelo preso de qualquer jeito. Parecia… leve.
Quando levantou o olhar e viu Camila na calçada, travou.
Os olhares se cruzaram, e o clima pesou.
Camila engoliu seco e disse, no impulso:
— Beatriz…
Beatriz franziu a testa. Mas, surpreendentemente, não a expulsou como antes. Perguntou com indiferença:
— O que você está fazendo aqui?
Camila abriu a boca, sem saber o que responder.
Beatriz ficou um segundo em silêncio, como se lutasse consigo mesma. No fim, suspirou:
— Deixa. Já que você está aqui… quer tomar um café comigo?
Camila piscou, surpresa; os olhos brilharam.
— Eu… posso?
Beatriz observou aquela cautela com um misto de resignação e tristeza.
…
Ela escolheu uma cafeteria perto do condomínio. Pediu um café gelado para si e um latte quente para Camila.
Sentadas frente a frente, o assunto custou a sair.
Camila observava a filha com cuidado. Mesmo sem Beatriz dizer nada, dava para ver: ela estava melhor. Mais corada, com mais vida no olhar. Era evidente que vivia bem com Aeliana.
Camila sentiu uma pontada amarga no peito.
— Você… tem ficado bem?
Beatriz mexeu o café com o canudo, calma.
— Estou muito bem.
— E a Aeliana… ela te trata bem?
— Sim. — Beatriz assentiu. — Muito melhor do que vocês.
A frase atingiu Camila como uma ferroada, mas ela não retrucou. Apenas sorriu, amargo.
— É… ela realmente tem qualidades.
Beatriz ergueu os olhos.
— O que aconteceu com você hoje? Está estranha.
Camila se surpreendeu. Não esperava que a filha se preocupasse com ela. Com os olhos marejados, hesitou, mas acabou resumindo os problemas recentes da família.
Ao terminar, Beatriz soltou uma risada fria.
— O Marcelo mereceu.
Camila suspirou, impotente.
— Beatriz… não fala assim. Ele ainda é seu irmão…
Beatriz ficou em silêncio.
Beatriz parou e olhou por cima do ombro.
— O que foi?
Camila apertou os dedos, hesitou e sussurrou:
— Você… pode me fazer um favor e dar um recado pra Aeliana?
Beatriz arqueou a sobrancelha.
— Que recado?
Camila respirou fundo, com a voz tão baixa que quase sumiu:
— Diz pra ela… que eu sinto muito.
— Eu entendi tudo errado, falei coisas horríveis… Hoje eu vejo que eu não devia ter feito aquilo.
Beatriz a observou em silêncio, com um olhar complexo.
A orgulhosa Sra. Costa, que passou a vida toda de nariz empinado, estava abaixando a cabeça para pedir desculpas? E justamente para Aeliana?
Beatriz ficou um instante calada, antes de responder, seca:
— Eu vou falar. Mas não garanto que ela vá te perdoar.
Camila assentiu depressa.
— Eu sei… eu só quero que ela saiba que eu me arrependo.
Beatriz assentiu e se virou para ir embora, mas Camila a segurou mais uma vez.
— Beatriz… sinto muito por tudo com você.
De costas, Beatriz tensionou os ombros. No fim, só acenou com a mão e foi embora sem olhar para trás.
Camila ficou parada. Ao ver a filha se distanciar, as lágrimas finalmente caíram.

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