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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 556

No quarto do hospital, Gustavo pegou o cartão e o virou entre os dedos, satisfeito.

— A família Costa finalmente criou juízo.

Daniela também suspirou, aliviada.

— Com o Gervásio em cima, o Marcelo não vai se atrever a fazer mais nada.

Amália recostou-se na cabeceira e acariciou o ventre com cuidado. Um sorriso frio, quase imperceptível, curvou seus lábios.

A família Costa achava que aquilo bastaria para acalmá-la?

Ingênuos.

Ela ergueu a cabeça e olhou para os pais com a voz suave:

— Pai, mãe… eu quero descansar um pouco.

Daniela assentiu depressa:

— Claro. Dorme um pouco. Eu fico aqui com você.

Amália fechou os olhos, obediente.

Mas, por dentro, já começava a planejar o próximo passo.

Mais tarde, na casa da família Costa, os três voltaram do hospital.

Marcelo, lembrando-se do tapa que levara do pai, estava com o rosto fechado. Parado diante da escrivaninha, ainda exibia a bochecha inchada e vermelha. O olhar era frio como gelo.

Ao ver aquela postura, Gervásio ficou ainda mais furioso. Ele tinha deixado bem claro pela manhã para Marcelo não criar problemas.

E o resultado?

Aquilo.

Gervásio se sentou na poltrona de couro, tamborilou os dedos na mesa e falou num tom gélido:

— Agora você aprendeu o que é passar vergonha? Onde você estava com a cabeça?

— O que aconteceu de verdade? Me conta agora.

Havia coisas que ele não podia perguntar na frente de Gustavo e Daniela.

Marcelo ficou sem palavras. Para ser sincero, nem ele entendia direito. Naquele dia, ele só lembrava de ter acordado e… os dois estarem na mesma cama.

Ele apertou o maxilar.

— Eu já disse: não sei o que aconteceu.

— Não sabe?

Gervásio soltou uma risada fria.

— Você é homem e não sabe se transou ou não com alguém?

O peito de Marcelo subiu e desceu. Ele respondeu, contido:

Gervásio lançou a ela um olhar gelado.

— Resolver como? Mantendo a Amália sob controle, ué!

Já que o fato estava consumado, restava fazer Marcelo "acalmar" Amália. Se não desse certo, ficariam com a criança e tirariam Amália do caminho.

Ele olhou para Marcelo, num tom que não admitia discussão:

— O Gustavo ainda tem alguns projetos que não liberou. Se a gente brigar agora, todo o planejamento vai por água abaixo.

Marcelo ergueu a cabeça de repente.

— Pai… o senhor quer dizer…

— Primeiro, convença ela a levar essa gravidez adiante — disse Gervásio, frio. — Depois…

Ele não precisou terminar. Marcelo entendeu.

Ficar com o filho. Livrar-se da mãe.

Marcelo sentiu o peito apertar.

— O senhor quer que eu sacrifique a minha vida inteira pelo Grupo Costa?

Gervásio franziu a testa.

— Que sacrifício? É só uma criança. Ela nasce e é criada pela família Costa. Você casa com quem quiser depois. Qual é o problema?

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