— Compadre, o que aconteceu hoje foi culpa da família Costa.
Ele falou com sinceridade e ainda fez uma leve reverência.
— Marcelo é jovem e impulsivo, age sem pensar. Eu, como pai, peço desculpas a vocês em nome dele.
A expressão sombria de Gustavo suavizou um pouco.
Ele sempre tivera respeito — e até certo receio — de Gervásio. Vendo o outro baixar a cabeça, não quis forçar demais e respondeu com voz grave:
— Sr. Costa, não é que eu esteja exagerando… mas a atitude do Marcelo hoje foi realmente decepcionante.
— Veja o que ele acabou de dizer!
Era de gelar o coração.
— É, é, é… Gustavo, você tem razão.
Gervásio concordou repetidamente, com um ar de dor profunda.
— Eu também não sei o que deu naquele moleque. Parece que entrou água no cérebro; perdeu toda a noção de decência!
— Quando eu voltar, vou dar uma boa lição nele.
Daniela, porém, não se deixou levar tão fácil. Ela soltou uma risada fria.
— Sr. Costa, não adianta só falar bonito. Eu quero saber: qual é a intenção da família Costa, afinal?
Ela apontou para Amália na cama, com a voz aguda.
— Amália e Marcelo são casados no papel. Agora que ela carrega um filho da família Costa, vocês não só não ficam felizes como parecem querer evitar isso a todo custo. Por quê?
Um traço de impaciência passou pelos olhos de Gervásio, mas ele manteve o rosto amável.
— Comadre, a senhora entendeu errado. Como não ficaríamos felizes? É só que o Marcelo tem um gênio difícil e não consegue aceitar de imediato.
Ele se aproximou da cama e olhou para Amália, ainda pálida, assumindo o papel de "pai amoroso".
— Amália, sei que você sofreu injustiças.
Então ele tirou um cartão black do bolso interno do paletó e o colocou com cuidado na mesa de cabeceira.
— Fique com este cartão. Cuide bem da gravidez e não pense demais. Quanto ao Marcelo… vou fazer ele te dar uma satisfação.
Amália baixou a cabeça e apertou a ponta do lençol, falando fraco:
— Tenho uma reunião na empresa. Vou indo. Amália, descanse bem. Qualquer coisa, me liga.
Depois disso, ele assentiu para Gustavo e saiu com Camila.
…
No corredor, o sorriso de Gervásio desapareceu na hora. O olhar ficou assustadoramente sombrio.
Camila franziu a testa.
— Por que você bateu no Marcelo agora há pouco? Foi claramente a Amália que armou pra ele!
— Se eu não batesse, a família Oliveira ia sossegar? — Gervásio riu com frieza. — Ainda não é hora de romper com a família Oliveira.
Ele olhou na direção do quarto e baixou a voz.
— O Gustavo ainda tem alguns projetos que ele não largou. Vamos esperar… espremer até a última gota de valor.
Ele não precisou completar. Camila já tinha entendido.
Os dois trocaram um olhar e caminharam em silêncio até o elevador.

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