— Caso contrário… não me culpe se eu tiver que ser cruel.
Marcelo terminou e saiu, batendo a porta sem piedade.
Amália recostou-se na cabeceira. Os dedos apertavam o lençol sem perceber; os nós ficaram brancos.
Ela encarou a porta fechada. As palavras frias de Marcelo ainda ecoavam na cabeça:
"Mesmo que essa criança nasça, não vai mudar nada."
Parecia que uma mão invisível apertava o coração dela, doendo tanto que mal conseguia respirar.
Marcelo era mesmo cruel — cruel a ponto de descartar a própria carne e sangue sem hesitar.
De repente, Amália achou tudo ridículo.
Ela gostava tanto de Marcelo; casar com ele era o sonho de infância. Por esse sonho, tinha feito de tudo para se casar, disposta até a suportar o desprezo e a humilhação da família Costa.
Ela achava que, se se esforçasse o suficiente, se fosse humilde o suficiente, um dia aqueceria o coração dele.
Mas agora…
Amália baixou a cabeça e olhou o ventre ainda plano, onde uma vida estava sendo gerada.
Aquela vida carregava o sangue dela e de Marcelo.
E Marcelo não queria nem olhar para ela.
O amor dela, a dedicação dela, aos olhos dele, não valiam nada.
Se é assim, então que ele não a culpe por ela ser cruel também.
O olhar de Amália endureceu. Ela ligou para Gustavo.
A porta do quarto se abriu de repente. Gustavo e Daniela entraram apressados.
— Amália!
Daniela viu o rosto pálido da filha, e os olhos ficaram vermelhos na hora.
— Como você ficou desse jeito?
…
Dez minutos depois, Marcelo havia saído apenas para ir ao banheiro.
Quando voltou e chegou perto da porta do quarto, ouviu as vozes lá de dentro.
— …Amália, não tenha medo. Papai e mamãe estão aqui. A família Costa não vai ousar fazer nada com você.
As lágrimas de Amália desceram na hora.
— Pai, mãe… O Marcelo… ele não quer essa criança…
— Dói muito… eu tô com tanto medo.
Amália tinha crescido mimada por Daniela. Quando foi que Daniela tinha visto a filha tão frágil e desamparada?
Naquele instante, o coração dela se partiu.
Daniela se virou de supetão para Marcelo, a voz estridente:
— Marcelo! Você é humano?
— O que está na barriga da Amália é seu filho!
— Só por sua causa!
O olhar dela carregava ódio.
— A Amália quase perdeu o bebê, e você não só não se importa como ainda quer fazer isso com ela uma segunda vez?
— Como você pode ser tão desalmado?

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