O que Henrique dizia era verdade; a empresa agira de forma errada na época.
Se soubessem disso, não teriam sido tão excessivos.
O pomo de adão de Evaldo oscilou, e seus dedos esfregavam inconscientemente a borda da pasta, com o olhar inquieto.
Ninguém na sala de reuniões ousava responder.
Foi então que Valéria, que permanecera em silêncio durante todo o processo, levantou a cabeça pela primeira vez, com um tom calmo, mas carregado de uma pressão implícita.
— Sr. Oliveira, contratos são vias de mão dupla. Já que desfrutou dos privilégios da empresa, deve assumir as responsabilidades correspondentes, não acha?
Henrique olhou para ela, com os cantos dos lábios levemente curvados.
— Sra. Almeida, a senhora acha que me faltam recursos agora?
Sem falar na Sra. Rabelo.
Apenas com sua clientela atual, havia muito mais pessoas dispostas a ajudá-lo do que gente na empresa.
Sua voz não era alta nem baixa, mas fez a respiração de Valéria falhar por um instante, e o olhar por trás das lentes de seus óculos escureceu.
Mário cerrou os dentes molares, e o sorriso em seu rosto quase desmoronou.
— Henrique, o mundo do entretenimento muda constantemente. O destaque de hoje não garante o status de amanhã...
— E daí?
Henrique recostou-se para trás, cruzou as pernas e manteve a postura dispersa.
— O Sr. Siqueira acha que não conseguirei sobreviver longe da Vivaz Entretenimento?
— Mas eu sinto que, agora que deixei a Vivaz, estou vivendo muito mais leve.
— E tenho que agradecer a vocês por não terem me "salvo" naquela época...
— Caso contrário... eu não estaria onde estou hoje.
O tom de Henrique era leve, mas soou como um tapa na cara de todos os presentes.
A expressão de Evaldo tornou-se feia instantaneamente; seus lábios se moveram, mas nenhuma palavra saiu.
A conversa tinha chegado a um impasse.
Estava claro que Henrique não tinha a menor intenção de renovar o contrato com eles naquele dia.
Sendo assim.
Não havia necessidade de continuarem sendo gentis com Henrique.
O olhar de Mário esfriou completamente, o sorriso desapareceu de seu rosto, restando apenas a sombra em seus olhos.
— Henrique, não seja tão presunçoso.
Evaldo enxugou o suor da testa, com a voz fraca.
— Sr. Siqueira, o que fazemos agora? Se a Sra. Rabelo descobrir...
Sem mencionar outras coisas, o contrato que prepararam hoje era, de fato, um pouco exagerado.
Mário riu friamente:
— Sra. Rabelo?
— Ah, Henrique é apenas um brinquedo que serve com o corpo. Nós somos parceiros de negócios dela.
— Qualquer pessoa sensata sabe quem escolher.
Dizendo isso, Mário estreitou os olhos, com a voz sombria.
— Vá, contate a mídia e traga à tona toda aquela "sujeira" dele novamente!
Valéria franziu a testa:
— Sr. Siqueira, isso não será óbvio demais?
Mário tinha um olhar perverso:
— Eu quero que Henrique saiba que, sem a Vivaz Entretenimento, ele não é nada!

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