Atrás dele, alguns estagiários sussurravam.
— Aquele é o Henrique?
— Sim, não disseram que ele tinha rompido o contrato com a empresa? Por que voltou?
— Ouvi dizer que a empresa quer assinar com ele de novo, imploraram por muito tempo...
— Nossa, que arrogância.
Henrique curvou os lábios e apertou o botão do elevador.
Quando Henrique empurrou a porta da sala de reuniões, três pessoas já estavam sentadas lá dentro.
Seu ex-agente Evaldo, o vice-presidente da empresa Adonias Lopes e a diretora jurídica Valéria Almeida.
O chefe, Mário Siqueira, estava sentado na cabeceira, com o mesmo sorriso no rosto, mas escondendo cálculos em seu olhar.
Ao vê-lo entrar, Evaldo levantou-se imediatamente, com um sorriso protocolar e estranho no rosto.
— Henrique, você veio.
Henrique puxou a cadeira preguiçosamente e sentou-se, cruzando as longas pernas e batendo levemente os dedos na mesa.
— Digam logo o que querem, estou muito ocupado.
Seu tom era indiferente, como se estivesse ali apenas para tomar um café, e não para negociar um contrato vital para sua carreira.
Adonias ficou insatisfeito com a atitude de Henrique, mas, lembrando-se da grande quantia investida pela Sra. Rabelo e de que a imagem de Henrique era realmente boa, percebeu que, se bem gerido, ele seria uma verdadeira mina de ouro para a empresa.
Pensando nisso, Adonias forçou um sorriso, fingindo entusiasmo e gentileza.
— Henrique, a empresa está preparando uma superprodução de época, de altíssimo orçamento, e o protagonista masculino ainda não foi definido...
— E daí?
Henrique ergueu as sobrancelhas.
Valéria empurrou um contrato na direção dele, falando em tom profissional.
— A empresa quer assinar novamente com você. Pode ver as condições, são muito mais favoráveis do que antes.
Henrique passou os olhos pelo contrato, sem pegá-lo, e soltou um riso de escárnio, com uma atitude extremamente arrogante.
Todos na sala de reuniões estavam insatisfeitos com a postura de Henrique, mas, lembrando-se do que a empresa fizera com ele antes, engoliram a seco, pois sabiam que estavam errados.
Evaldo apressou-se em complementar.
— E também, se você não tivesse deixado de cooperar com a empresa naquela época...
Eles não teriam sido tão radicais.
Naquela época, eles deram muitas chances a Henrique.
Se Henrique não quis, de quem era a culpa?
— Passado?
Henrique riu friamente.
— Evaldo, agora sou detonado nas redes, fui colocado na geladeira por dois meses, perdi todos os contratos publicitários, e vocês resolvem tudo com um simples "passado"?
Ele se levantou e olhou para Mário de cima.
— Sr. Siqueira, sugiro que traga um pouco mais de sinceridade antes de conversar comigo sobre isso.
Trazer um contrato medíocre daqueles era zombar da cara de quem?
A expressão de Mário fechou, e ele finalmente abandonou a máscara.
— Henrique, a empresa está te dando uma chance, não seja ingrato!

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