Henrique encarou seu próprio reflexo no vidro, e um sorriso de escárnio curvou seus lábios.
Lição?
Ele já recebera lições suficientes nos últimos tempos.
Não precisava da falsa compaixão deles.
O celular vibrou novamente; ele olhou de relance e viu uma mensagem de texto de Evaldo.
"Henrique, a empresa já cedeu, não seja ingrato!"
Henrique riu friamente e tocou na tela com os dedos.
"Diz pro Mário Siqueira: se quiser conversar, ótimo. Mas que venha pessoalmente."
Depois de enviar, ele desligou o celular e caminhou em direção ao quarto.
Durante uma semana inteira.
O celular de Henrique ficava lotado de chamadas perdidas de Evaldo todos os dias, mas ele nem se dava ao trabalho de olhar, mantendo o modo "não perturbe" ativado.
Henrique não respondeu, deixando a agência de talentos no vácuo por vários dias.
Durante o dia, ele frequentava clubes privados; à noite, entrava e saía da mansão da Sra. Rabelo, vivendo uma vida de luxo e excessos, como se tivesse esquecido completamente que era um artista.
Até que, em uma madrugada.
Henrique acabara de ter um momento íntimo com a Sra. Rabelo.
Sob a luz quente do abajur.
A Sra. Rabelo estava recostada na cabeceira da cama, segurando um cigarro fino entre os dedos, e seus lábios vermelhos se abriram levemente.
— Henrique, a Vivaz Entretenimento te procurou, não é?
Henrique, que estava bebendo em frente à janela, olhou para ela com dúvida.
— Sim, são muito irritantes.
A Sra. Rabelo soltou um anel de fumaça, estreitou os olhos para ele e o aconselhou gentilmente.
— Deixá-los esperando não trará benefícios para você.
A Sra. Rabelo honrara seu compromisso e investira muito dinheiro na Vivaz Entretenimento; agora, Henrique era o seu favorito.
Um era parceiro de negócios, o outro era seu favorito, e a Sra. Rabelo não queria que a relação entre eles ficasse muito tensa.
Henrique girou a taça de vinho, e o líquido âmbar brilhou friamente sob a luz.
Não sabia explicar o porquê, mas Henrique sentiu uma pontada de mágoa ao ouvir aquelas palavras da Sra. Rabelo.
— O quê? A senhora também acha que devo abaixar a cabeça para eles?
A Vivaz Entretenimento o fizera sofrer muito anteriormente.
A Sra. Rabelo riu levemente e estendeu a mão para tocar o queixo dele.
— Henrique, você se contenta em ser conhecido a vida toda como alguém que "subiu na vida graças a mulheres ricas"?
Aquela frase foi como um espinho cravado nos nervos de Henrique.
Ele apertou a taça de vinho com força, deixando os nós dos dedos brancos.
Vendo isso, a Sra. Rabelo sorriu satisfeita:
— Vá à empresa amanhã, certo?
Ela deu tapinhas no rosto dele:
— Mesmo que não queira assinar com eles, não ofenda os outros tão profundamente.
— Não me decepcione.
Na tarde do dia seguinte, Henrique finalmente apareceu no prédio da Vivaz Entretenimento.
Ele usava óculos escuros e um terno preto de alta costura, emanando uma aura fria.
Ao vê-lo, a recepcionista demonstrou uma expressão complexa e embaraçada.
— Sr. Oliveira! O senhor voltou?
— O Sr. Siqueira e os outros estão esperando lá em cima.
Henrique nem sequer olhou para ela e caminhou diretamente para o elevador.

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