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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 539

As palavras doces da Sra. Rabelo vinham uma após a outra.

Henrique fixou o olhar nos olhos dela e, de repente, sorriu.

— A Sra. Rabelo é tão boa para mim.

Henrique virou o rosto e deu uma tragada profunda no cigarro; a fumaça ocultou sua expressão, escondendo a melancolia em seus olhos.

No entanto...

O que a Sra. Rabelo dizia fazia sentido.

Já que ele havia se deitado com a Sra. Rabelo, qual a diferença de se deitar com mais algumas?

Pensando nisso.

Ele apagou o cigarro, virou-se para a Sra. Rabelo e curvou os lábios em um sorriso lisonjeiro.

— Só cheguei onde estou graças ao seu carinho, Sra. Rabelo.

— Se é uma ideia sua, é claro que não tenho objeções.

— Eu confio em você.

A Sra. Rabelo sorriu satisfeita e deu um tapinha no rosto dele.

— Bom menino.

Já que Henrique era tão obediente e dócil, isso poupava muito trabalho para ela.

A Sra. Rabelo levantou-se, tirou um cheque da gaveta da penteadeira e o colocou na mesa de cabeceira.

— Esta é a sua recompensa.

Henrique deu uma olhada rápida.

Quinhentos mil reais.

Um brilho de escárnio passou por seus olhos, mas logo foi encoberto por um sorriso adulador.

— Obrigado, Sra. Rabelo.

Vendo-o tão submisso, a Sra. Rabelo ficou de ótimo humor.

— Hoje à noite haverá uma festa privada, você virá comigo.

Henrique assentiu.

— Tudo bem.

Antes de irem para a festa, a Sra. Rabelo escolheu pessoalmente um terno azul-marinho para Henrique.

Ela ficou parada na frente dele, ajeitando sua gravata, com voz suave.

— A Sra. Siqueira gosta do tipo maduro e estável, você vai usar isso hoje.

Henrique olhou para baixo, encarando-a, com um leve sorriso.

— Sra. Rabelo cuida tão bem de mim, nem sei como retribuir.

A Sra. Rabelo riu levemente, deslizando a ponta dos dedos pelo peito dele.

— Você se comportar bem já é a melhor retribuição para mim.

Samara, excitada pelo charme dele, corou e riu dengosa.

— Claro que é... uma conversa privada.

Ao redor, risadas ambíguas ecoaram.

Tudo estava subentendido.

Henrique ergueu a taça, brindou com todos e bebeu de um só gole.

O álcool desceu queimando a garganta e o estômago, mas ele não sentiu dor.

Assim que terminou de beber.

Henrique foi puxado impacientemente pela Samara para o quarto de hóspedes no andar de cima.

A Sra. Rabelo e as outras senhoras presentes trocaram olhares de entendimento e não tentaram impedir.

Henrique apenas seguiu o fluxo e entrou com Samara.

Assim que a porta se fechou, a mulher se jogou sobre ele ansiosamente.

— Eu estava de olho em você há muito tempo...

Henrique a segurou com um sorriso, mas seus olhos estavam frios como gelo.

— Sra. Siqueira, vá devagar, não tenha pressa.

Ele desfez o nó da gravata com habilidade, inclinou-se para beijar o pescoço dela, ouvindo os gemidos de satisfação da mulher em seu ouvido.

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