As palavras doces da Sra. Rabelo vinham uma após a outra.
Henrique fixou o olhar nos olhos dela e, de repente, sorriu.
— A Sra. Rabelo é tão boa para mim.
Henrique virou o rosto e deu uma tragada profunda no cigarro; a fumaça ocultou sua expressão, escondendo a melancolia em seus olhos.
No entanto...
O que a Sra. Rabelo dizia fazia sentido.
Já que ele havia se deitado com a Sra. Rabelo, qual a diferença de se deitar com mais algumas?
Pensando nisso.
Ele apagou o cigarro, virou-se para a Sra. Rabelo e curvou os lábios em um sorriso lisonjeiro.
— Só cheguei onde estou graças ao seu carinho, Sra. Rabelo.
— Se é uma ideia sua, é claro que não tenho objeções.
— Eu confio em você.
A Sra. Rabelo sorriu satisfeita e deu um tapinha no rosto dele.
— Bom menino.
Já que Henrique era tão obediente e dócil, isso poupava muito trabalho para ela.
A Sra. Rabelo levantou-se, tirou um cheque da gaveta da penteadeira e o colocou na mesa de cabeceira.
— Esta é a sua recompensa.
Henrique deu uma olhada rápida.
Quinhentos mil reais.
Um brilho de escárnio passou por seus olhos, mas logo foi encoberto por um sorriso adulador.
— Obrigado, Sra. Rabelo.
Vendo-o tão submisso, a Sra. Rabelo ficou de ótimo humor.
— Hoje à noite haverá uma festa privada, você virá comigo.
Henrique assentiu.
— Tudo bem.
Antes de irem para a festa, a Sra. Rabelo escolheu pessoalmente um terno azul-marinho para Henrique.
Ela ficou parada na frente dele, ajeitando sua gravata, com voz suave.
— A Sra. Siqueira gosta do tipo maduro e estável, você vai usar isso hoje.
Henrique olhou para baixo, encarando-a, com um leve sorriso.
— Sra. Rabelo cuida tão bem de mim, nem sei como retribuir.
A Sra. Rabelo riu levemente, deslizando a ponta dos dedos pelo peito dele.
— Você se comportar bem já é a melhor retribuição para mim.
Samara, excitada pelo charme dele, corou e riu dengosa.
— Claro que é... uma conversa privada.
Ao redor, risadas ambíguas ecoaram.
Tudo estava subentendido.
Henrique ergueu a taça, brindou com todos e bebeu de um só gole.
O álcool desceu queimando a garganta e o estômago, mas ele não sentiu dor.
Assim que terminou de beber.
Henrique foi puxado impacientemente pela Samara para o quarto de hóspedes no andar de cima.
A Sra. Rabelo e as outras senhoras presentes trocaram olhares de entendimento e não tentaram impedir.
Henrique apenas seguiu o fluxo e entrou com Samara.
Assim que a porta se fechou, a mulher se jogou sobre ele ansiosamente.
— Eu estava de olho em você há muito tempo...
Henrique a segurou com um sorriso, mas seus olhos estavam frios como gelo.
— Sra. Siqueira, vá devagar, não tenha pressa.
Ele desfez o nó da gravata com habilidade, inclinou-se para beijar o pescoço dela, ouvindo os gemidos de satisfação da mulher em seu ouvido.

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