Depois de cruzar aquela linha pela primeira vez, Henrique também cedeu de vez
Quando foi à casa da Sra. Rabelo pela segunda vez, Henrique e ela tiveram relações de forma natural.
A luz da lua entrava pela cortina da porta de vidro, iluminando os lençóis desarrumados.
A Sra. Rabelo estava recostada na cabeceira da cama, sem a maquiagem sofisticada; naquele momento, ela finalmente revelava sua verdadeira aparência.
Sem a maquiagem, ela parecia mais cansada; os sinais da idade ficavam evidentes no pescoço e no olhar se salientava levemente ao deitar.
Ela acendeu um cigarro fino, tragou profundamente, e a fumaça borrou seu rosto levemente cansado.
Henrique estava recostado do outro lado, também segurando um cigarro entre os dedos, com a fumaça pairando lentamente no ar.
Em meio à fumaça, o olhar dele parecia um pouco disperso.
O som da água no banheiro parou.
A Sra. Rabelo saiu envolta em um roupão, com as pontas dos cabelos ainda pingando água.
Ela caminhou até a cama, inclinou-se e segurou o queixo de Henrique, com os lábios vermelhos curvados em um sorriso satisfeito.
— Você foi muito bem ontem à noite.
— Digno do homem que escolhi.
Henrique forçou um sorriso preguiçoso.
Ele estendeu a mão para tocar a cintura dela, acariciando suavemente aquela camada de carne macia.
— É uma honra satisfazê-la.
A Sra. Rabelo sentiu-se lisonjeada com o gesto e soltou uma nuvem de fumaça.
— Cafajeste, que boca doce.
De repente, ela se virou e subiu em cima dele, apertando seu queixo com as unhas pintadas de vermelho vivo.
— Mas... eu gosto desse seu jeito de falar.
A Sra. Rabelo riu levemente, deslizando os dedos até a clavícula dele, olhando-o com ternura.
— Henrique, na verdade, sempre achei que você não deveria ficar apenas comigo com suas qualidades.
Os dedos de Henrique pararam por um instante, e ele ergueu os olhos para ela.
— O que quer dizer?
— Mas não se preocupe, um casamento de fachada; na prática, cada um vive a própria vida.
— E ela é muito mais generosa do que eu. Se você aceitar acompanhá-la algumas vezes, talvez consiga receber várias vezes mais do que aqui.
Henrique baixou os olhos, parecendo um tanto desanimado.
— Sra. Rabelo, você está... querendo me empurrar para outra pessoa?
Passou tão pouco tempo, a Sra. Rabelo já estava enjoada dele tão rápido assim?
O "tesouro" ficou triste.
A Sra. Rabelo balançou a cabeça imediatamente, com um tom de repreensão carinhosa.
— Como assim? Só acho que você é tão excelente que deveria conhecer mais pessoas e ganhar mais dinheiro.
Ela segurou a mão dele suavemente, com um olhar sincero.
— É para o seu bem.
— Na verdade, meu coração dói muito, mas para que você possa pagar sua multa o quanto antes e não ficar preso à empresa, só posso fazer esse sacrifício.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Despertar Depois dos 1460 dias