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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 540

De madrugada, Henrique saiu sozinho da mansão.

O vento noturno era gelado. Ele parou na beira da estrada, tateou o maço de cigarros, mas descobriu que estava vazio.

Ele soltou uma risada de escárnio, amassou a caixa vazia e a jogou na lixeira.

O celular vibrou; era a notificação da transferência feita pela Samara: dois milhões e meio de reais.

Henrique encarou a tela e, de repente, sorriu.

Aquela festa pareceu virar uma chave na cabeça do Henrique.

Começando pela Samara, Henrique não rejeitava ninguém; era sustentado por mulheres ricas, vivendo no êxtase do prazer, circulando o dia inteiro entre gente da alta sociedade.

Sob a luz fraca, o champanhe balançava nas taças e o lustre de cristal refletia sombras luxuosas.

Henrique recostava-se preguiçosamente no sofá de couro, com a gola da camisa aberta, revelando suas clavículas bem desenhadas.

Segurava um charuto aceso entre os dedos e, em meio à fumaça, seus olhos amendoados e levemente embriagados observavam a mulher à sua frente com um sorriso ambíguo.

— Sr. Oliveira, por que parou de beber?

Uma mão com unhas vermelhas pousou no ombro dele. A mulher se aproximou, os lábios quase tocando sua orelha, com voz manhosa.

— Não disse que hoje não voltaríamos para casa sóbrios?

Henrique riu baixo, virou a taça e bebeu tudo de um gole, o pomo de adão oscilando.

— Como eu ousaria não beber o vinho da senhora?

A mulher, de quarenta e poucos anos e bem conservada, não mostrava sinais da idade no rosto, apenas a astúcia nos olhos e o relógio de diamantes no pulso denunciavam sua riqueza e status.

Ela sorriu satisfeita, deslizando o dedo do ombro dele até o peito.

— O Sr. Oliveira está cada vez melhor com as palavras ultimamente.

Henrique curvou os lábios, mas seus olhos permaneciam frios e vazios.

Desde que o Grupo Oliveira ficou sem liquidez, ele se tornou a "presa" aos olhos dessas mulheres ricas.

E ele aceitava colaborar de bom grado, afinal, era a única maneira rápida de conseguir dinheiro no momento.

No camarote, outras senhoras ricas também se aproximaram; uma ofereceu cigarro, outra serviu bebida, e houve quem se sentasse diretamente no colo dele.

— Sr. Oliveira, ouvi dizer que você precisa de capital?

Uma mulher com um vestido decotado se aproximou, desenhando círculos no peito dele com o dedo.

— Quer que eu te ajude?

Empresa?

Se fosse antes, quando estava sem saída, ele provavelmente teria sido mais solícito com a empresa.

Mas agora que ele tinha se agarrado à Sra. Rabelo, apenas com ela e suas amigas, pagar a multa rescisória era questão de tempo.

Sendo assim, por que dar satisfação à empresa?

Henrique não se esquecera de como eles foram impiedosos ao empurrá-lo para o buraco.

— Sr. Oliveira, no que está pensando? — Outra mulher apertou o queixo dele. — Vamos, beba mais uma.

Henrique recuperou-se dos pensamentos, pegou a taça sorrindo e bebeu tudo.

O álcool queimava sua garganta, mas lhe dava uma sensação momentânea de libertação.

Vivendo bêbado de sonhos, perdido no luxo.

Tarde da noite, na mansão da Sra. Rabelo.

As propriedades em nome de Henrique haviam sido hipotecadas ou retomadas pela empresa.

Após confirmar o relacionamento com a Sra. Rabelo, Henrique estava morando na casa dela durante esse período.

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