— Que ousadia!
Ele olhou para Aeliana e suavizou o tom.
— Menina, não tenha medo. A família Barreto não vai deixar você sofrer essa injustiça em vão.
Aeliana balançou a cabeça.
— Vovô, fui eu quem me descuidei...
— Que descuido que nada! — Eduardo a interrompeu, com o bigode tremendo de raiva. — Aqueles canalhas ousaram agir no Vale Tropical, não têm respeito nenhum pela família Barreto!
Ele se virou e fulminou Jocelino com o olhar.
— O que você pretende fazer?
Os olhos de Jocelino eram sombrios.
— Não vou deixar sobrar nenhum.
Eduardo assentiu com satisfação.
— É assim que se fala.
Heloisa serviu uma tigela de canja e entregou cuidadosamente nas mãos de Aeliana.
— Tome um pouco de sopa primeiro, para aquecer o estômago.
Aeliana pegou a tigela, sentindo o calor reconfortante na palma das mãos.
Ela baixou a cabeça e tomou um gole; o sabor delicioso se espalhou pela língua, dissipando um pouco da fraqueza.
Heloisa sentou-se à beira da cama e suspirou levemente.
— Você sempre nos deixa preocupados.
Ela estendeu a mão e arrumou o cabelo de Aeliana atrás da orelha, com um olhar gentil e penalizado.
— Daqui para frente, tenha mais cuidado ao sair, leve mais seguranças, não se arrisque sozinha de novo, ouviu?
Aeliana parou os dedos por um instante e assentiu.
— Sim.
Eduardo olhou para Aeliana, depois olhou de relance para o neto e disse de repente.
— Jocelino, saia um pouco, tenho algo para falar com a Aeliana.
Jocelino franziu a testa.
— Vovô?
Eduardo arregalou os olhos.
— O quê? Acha que vou devorá-la?
Jocelino, sem saída, olhou para Aeliana e, vendo que ela assentia levemente, virou-se e saiu.
Dentro do quarto.
Eduardo sentou-se na cadeira e olhou fixamente para Aeliana.
— Menina, fale a verdade para mim.
— ... O quê? — Perguntou Aeliana.
Eduardo baixou a voz.
— O seu sequestro tem a ver com a sua mestra?
A pupila de Aeliana contraiu levemente.
— Como o senhor sabe?
Eduardo bufou.
Eduardo riu alto e saiu caminhando com sua bengala.
— Agradecer pelo quê? Família não precisa dessas formalidades!
Heloisa também se levantou sorrindo e apertou levemente a mão de Aeliana.
— Descanse bastante, amanhã eu volto para te ver.
Aeliana assentiu.
— Está bem.
...
Fora do quarto.
Jocelino estava encostado na parede e, ao ver Eduardo sair, ergueu uma sobrancelha.
— Já acabou?
Pela cara de Jocelino, parecia que ele achava que Eduardo tinha feito algo ruim com Aeliana.
Que neto ingrato.
Eduardo o fuzilou com o olhar.
— O quê? Com medo de eu intimidar sua mulher?
Jocelino ficou em silêncio.
Eduardo bufou e baixou a voz.
— Aquela menina é independente demais, trate de prestar mais atenção e proteja bem ela.
Os olhos de Jocelino escureceram levemente.
— Eu sei.

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